Graça Foster foi avisada de suspeitas um ano antes

Comissão interna da estatal revela que desde 2012 empresa sabia de indícios de irregularidade

iG Minas Gerais |


Graça Foster foi avisada da investigação pela própria SBM Offshore
DIDA SAMPAIO
Graça Foster foi avisada da investigação pela própria SBM Offshore

Brasília. A presidente da Petrobras, Maria das Graças Foster, foi informada de investigação sobre suspeitas de pagamento de propina a funcionários da estatal e de companhias em outros países cerca de um ano antes de anunciar uma auditoria sobre o caso.

A declaração foi feita pelo chefe de Governança e Conformidade da SBM Offshore, Sietze Hepkema, à comissão destacada pela petrolífera brasileira para apurar as denúncias de que um representante da empresa pagava suborno em troca de contratos de locação de plataformas.

Em 21 de fevereiro deste ano, a equipe da Petrobras entrevistou Hepkema no Rio de Janeiro, como parte dos trabalhos de investigação interna. Na ocasião, ele foi questionado sobre o porquê de a SBM nunca ter avisado a estatal sobre as investigações que abrira para apurar as denúncias de irregularidade, embora isso seja determinação de contratos da empresa com a estatal.

“Nós o fizemos em várias ocasiões, geralmente com o senhor Formigli. Discutido com a senhora Foster cerca de um ano atrás”, respondeu o executivo, conforme transcrição da conversa, em inglês, feita pela estatal e obtida pelo jornal “O Estado de S.Paulo”.

Formigli é o diretor de Exploração e Produção da estatal, José Miranda Formigli. A Petrobras determinou investigação sobre o caso em 13 de fevereiro, dia em que o caso foi divulgado na imprensa brasileira, bem depois do suposto alerta.

O anúncio de que as apurações estavam em curso foi feito por Graça Foster cinco dias depois. No relatório final das investigações, a comissão afirma que Hepkema “declarou haver comentado sobre as denúncias com o diretor Formigli e a presidente Graça”.

A SBM tomou conhecimento das suspeitas em janeiro de 2012 e iniciou as investigações em maio do mesmo ano, meses antes do suposto alerta a Graça Foster. O trabalho é feito por escritórios contratados na Holanda.

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