Parceiros em campos opostos

Romário e Bebeto se elegeram deputados, mas atuação de cada uma é completamente oposta

iG Minas Gerais | Lucas Pavanelli |

Bebeto propôs homenagem a Ricardo Teixeira e depois desistiu
WILSON DIAS/ABR - 13.5.2012
Bebeto propôs homenagem a Ricardo Teixeira e depois desistiu

No dia 28 de junho de 1994, em algum gramado da cidade de Detroit, nos Estados Unidos, Romário abriu caminho pela defesa sueca e, na entrada da área, tocou, de bico, para empatar o último jogo da primeira fase da Copa do Mundo daquele ano. Uma semana mais tarde, em Stanford, na Califórnia, foi o baixinho o autor do passe para o gol de Bebeto – contra os donos da casa – e que colocou o Brasil nas quartas de final, no ano em que a seleção brasileira conquistaria o tetracampeonato.

Ao longo dos 20 anos que separam aquela Copa do Mundo, nos Estados Unidos, e a que é disputada, hoje, no Brasil, Romário e Bebeto deixaram o futebol e buscaram espaço na política. O primeiro é deputado federal e o segundo é estadual. E nesse outro campo os ex-companheiros jogam em lados opostos e têm atuações distintas.

As diferenças se tornam mais evidentes quando o tema é justamente o que os aproximava: o futebol. Romário adotou postura mais crítica com relação aos gastos com a Copa. Já Bebeto aceitou convite para se tornar membro do Comitê Organizador Local (COL) da Copa. Não poupou elogios ao ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) Ricardo Teixeira e ao atual, José Maria Marín, a quem, inclusive, indicou para receber a Medalha Tiradentes, principal comenda da Assembleia do Rio. O pedido para a homenagem foi retirado dias depois, com receio de que a medida poderia “pegar mal”. Ambos são alvos das críticas de Romário. 

“Não podemos esquecer o trabalho de Ricardo Teixeira pela seleção. O Brasil conquistou duas copas durante a presidência dele na CBF”, disse Bebeto em maio de 2012, quando Teixeira deixou o comando da entidade. Uma frase dessas seria impossível no repertório do deputado do PSB. Pelo contrário. “Exterminamos um câncer”, disse Romário, na mesma ocasião.

O baixinho também não poupou críticas a Bebeto (e também a outro ex-atacante, Ronaldo), que se tornaram seus desafetos ao elogiarem a organização da Copa. “Ou Ronaldo e Bebeto não estão cientes do que está acontecendo, ou eles estão fingindo que não estão cientes do que está acontecendo”, disse em entrevista ao jornal “The New York Times”.

Parlamentar. Outra diferença é a atuação como deputado. Além das críticas afiadas, Romário se destacou com atuação em defesa de pessoas com deficiência – sua filha Ivy nasceu com Síndrome de Down. Um terço de seus projetos é destinado a esse público. Já Bebeto ganhou menos destaque como deputado que como membro do COL. Apesar de ter proposto 55 projetos na Assembleia do Rio, desde que assumiu o mandato em 2011, poucos ganharam destaque.

Bancada da bola. Se Bebeto e Romário foram eleitos graças às atuações dentro dos gramados, outros ex-atletas percorreram o mesmo caminho. Na Câmara dos Deputados estão o ex-goleiro do Grêmio e do Atlético Danrlei (PSD-RS) e o ex-boxeador Acelino Popó (PRB-BA). Na Assembleia de Minas, o ex-goleiro do Galo João Leite (PSDB) e o ex-atacante Marques (PTB). O ídolo do Atlético, Reinaldo Lima, também teve passagem pela Assembleia e pela Câmara de Vereadores de Belo Horizonte, que também abrigou o ex-craque do Cruzeiro, Wilson Piazza.

Destino

Urna. Nas eleições 2014, Romário e Bebeto terão papeis diferentes. O baixinho tem grandes chances de ser eleito senador. Já Bebeto, que quase desistiu de disputar o pleito, tentará reeleição.

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave