Segue o jogo. Até quando?

iG Minas Gerais |

A aposta de que o Brasil iria parar com os movimentos contra a Copa parece ter ficado resolvida: se o Brasil parou foi por causa da anestesia que o campeonato mundial sempre gera a cada quatro anos em quase todo mundo. O Brasil está na Copa, alegre e satisfeito. Tudo funcionando, contra o desejo dos que estão alinhados contra o governo e querem colocar as tragédias na mesma cesta. E assim vamos, com o desejo de que o padrão Fifa faça escola. Em períodos passados, as copas só intensificavam o dano que as eleições causavam. Historicamente, o Brasil sempre conviveu com a pecha de que teríamos um ano perdido por causa da realização de eleições. E a essa tragédia sempre se acrescentava, com uma ponta de culpa, a coincidência com a Copa. A Copa não era protagonista do caos. As eleições sim. Nesse último ano e meio foi um pouco diferente. Como a Copa chegou como uma invenção dos governos, federal, estaduais e municipais, grupos foram para as ruas exigir seu cancelamento, enfatizando que o evento subtrairia recursos essenciais à realização de outras obrigações sociais, como a educação, saúde e segurança, em especial. Há quinze dias, recebi pela internet uma convocação para um encontro de protesto que se estaria organizando na praça da Estação, que agora virou espaço dedicado a tais eventos. Assinavam o manifesto variadas entidades, muitas das quais só têm o nome. Eram grupos de trabalhadores sem casa, dos com casa mas sem trabalho, de LGTBS, de ex-moradores dos espaços tomados para construção de novas vias, de movimentos pela reforma agrária, dos trabalhadores sem terra, dos que têm ou não calos nas mãos, da tarifa zero para o transporte público, enfim, ali estava representada a nação brasileira descontente. Soube depois que o movimento não conseguiu arregimentar muitos seguidores e a PM, com o poder de sua argumentação e convencimento, conseguiu evitar que o encontro gerasse mais repercussões e ganhasse volume. Foram todos pras casas, assistir os jogos. Governos com altas de popularidade, mesmo servidos de índices de desenvolvimento medíocres mas aceitáveis, com boas taxas de empregabilidade têm, no Brasil de Dilma e em todo mundo, convivido com a perspectiva de manifestações que rapidamente se organizam e levam pras ruas suas verdades. A representação política, que sempre foi questionada e confrontada, está falida, no Brasil e no mundo. Senadores, deputados, vereadores, prefeitos, sindicatos, tudo e todos que já foram bandeiras, estão em cheque. Ninguém aposta por muito tempo, em nenhuma liderança, em qualquer projeto ou ideia todas as suas fichas. Essa realidade, que vem sendo agravada acentuadamente, deveria ser a base de uma urgente reforma política no Brasil. Faltam líderes com o respeito da sociedade para levá-la adiante. O que é muito perigoso.

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