Gringo não quer saber só de futebol... Tem o forró...

Os gringos não sabiam o que era dançar forró, trocaram a caipirinha pela cerveja em lata e encantaram-se com o cigarro de palha brasileiro.

iG Minas Gerais |

Colombiano Santiago Lozano disse que estava adorando aprender a dançar
LEO FONTES / O TEMPO
Colombiano Santiago Lozano disse que estava adorando aprender a dançar

Os gringos não sabiam o que era dançar forró, trocaram a caipirinha pela cerveja em lata e encantaram-se com o cigarro de palha brasileiro. Certamente eles estão dispostos a ser arriscar em outras novidades por aqui, além do embate em campo dos jogos que a capital mineira está sediando durante a Copa do Mundo.

Diferente da Savassi, onde o clima é de “Carnacopa” – jogos nos bares, para quem não conseguiu ingresso e comemoração na rua – e as mulheres, de fato, “caem pra cima” dos gringos, é em uma salinha improvisada ao som do xote – no estabelecimento chamado de “A Casa”, no bairro Santa Efigênia, na região Leste de Belo Horizonte – é que as coisas, digamos assim, voltam ao “normal”. Com homens em maior número, as mulheres ainda esperam que eles as chamem para dançar.

Um deles, Santiago Lozado, 35, um arquiteto colombiano de primeira viagem ao Brasil para assistir aos jogos de Colômbia e Grécia, inclusive me chamou para ensiná-lo a dançar forró após a entrevista.

“É a primeira vez que escuto o forró, mas já tinha ouvido falar que é um ritmo parecido com a salsa. Eu estou adorando”, contou ele. Prometi que iria arrumar uma “chica” para dançar com ele e posar para uma foto.

Quando voltei, ele já tinha se virado a arriscar os passos da dança com uma brasileira e mesmo comparando o nosso xote com o ritmo “caliente” de lá, o colombiano não tinha entendido ainda que forró aqui se dança com o corpo bem colado ao da parceira.

Para os californianos Bobby Fitz Patrick, Jevin Vale e Kris Breton, Belo Horizonte era a terceira capital visitada, especialmente para assistir a partida entre Inglaterra e Costa Rica, que aconteceu no último dia 24. Mesmo com muita cerveja, o grupo preferiu não se arriscar na dança e optou por observar a outra companheira do grupo, Marcela Breton, 34, que dançava tão bem o forró a ponto de me pedir para ser breve na entrevista porque queria curtir o resto da noite.

O passo afinado no pé tinha uma explicação. “Nasci em Brasília mas não me lembro do Brasil porque fiquei muito pouco tempo. Agora estou retornando aos poucos para conhecer melhor o meu país”, explicou. Uma vez ao mês, Marcela, que é professora de forró em São Francisco, na Califórnia, ensina os passos do xote sempre antes das apresentações da “Forró Brazuca”, banda que toca nas festas brasileiras na cidade dos Estados Unidos. Petiscos juninos “fisgam” estrangeiros Para “abraçar” os turistas estrangeiros, o proprietário Fernando Evangelista improvisou um bar do lado de fora com petiscos juninos como cachorro-quente, caldo e canjica, sem deixar de fora a cerveja e o cigarro de palha. Nessa barraquinha improvisada é que a designer Kelly Camilozzi, 43, de BH, fazia as honras da casa para o cinegrafista alemão Yan Drossar, 46. Ele experimentou o torresmo e até tentou dançar forró. E aprovou. “Fiquei muito em carro nesta visita. Agora é a primeira vez que tenho contato com o Brasil de verdade”, resumiu o alemão, que já tinha aproveitado um samba mais cedo.  Sucesso em BH De acordo com Fernando Evangelista, proprietário do local, o forró, que comanda sempre às segundas-feiras, é um chamativo para os gringos em qualquer época do ano. Na Copa, o sucesso foi comprovado logo no início da noite. A casa, que abriu às 22h na última segunda-feira (23), já tinha 180 pessoas antes da meia-noite. “Na semana passada, perdemos a conta de quantos estrangeiros vieram aqui conhecer. Geralmente eles vêm para se divertir, arriscam uns passos de forró, principalmente os latinos, que se soltam mais, e são os últimos a ir embora sempre”, explicou. 

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