Impasse nos sebos

iG Minas Gerais |

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A venda de livros usados no Brasil pela internet vive um momento de impasse, com a discordância de livreiros associados à Estante Virtual, principal portal de vendas desse segmento, em relação a novas regras que alteram os valores que eles pagam para participarem dessa rede de comercialização.  A comissão paga pelos livreiros ao portal subiu de 6% para 8%, podendo chegar a 12%, ou seja, 100% a mais, de acordo com um escalonamento de metas estabelecidas em relação ao volume de vendas, em que quem vende mais paga menos. Os donos de sebos, principalmente os menores, alegam que não têm condições de assimilar esse reajuste e se repassarem ao consumidor o risco é de queda nas vendas. O leitor habituado a comprar nesse sistema certamente saberá identificar se está pagando mais caro. Na tentativa de reverter o quadro, houve um protesto em que cerca de 150 dos 1.300 sebos e livreiros cadastrados no site retiraram temporariamente de exibição aproximadamente 2 milhões de títulos desse catálogo online. Além disso, eles criariam uma petição online reivindicando uma “Estante Virtual mais justa”, que até a sexta-feira passada já contava com mais de 7 mil assinaturas de livreiros e simpatizantes da causa. Após essa mobilização, em entrevista à jornalista Maria Fernandes Rodrigues, do blog Babel, postado no site do “Estadão”, o proprietário do Estante Virtual, André Garcia, disse que considerava válido o movimento para aprimorar as novas regras, mas descartou o retorno à comissão de 6%. Ele argumentou que no fim do ano passado visitou mais de 100 livreiros em dez cidades e que implementou mudanças para atender às demandas apresentadas, como novas ferramentas virtuais, sistema de busca mais eficaz, novas formas de pagamento e investimento em propaganda. Com isso, segundo Garcia, seus custos operacionais aumentaram 98,4% e não há como voltar atrás no reajuste. Ele ainda afirma que com as novas ferramentas, as vendas dos sebos vão aumentar. Mas uma parcela dos livreiros não concorda. No texto da petição eles afirmam que as “mudanças foram impostas, por decisão unilateral, sem qualquer consulta aos vendedores que fazem o portal. Dentre estas imposições salientamos um aumento de 100% nas tarifas sobre as vendas, meios de pagamento eletrônico incompetentes, e uma subdivisão de vendedores em classes, prejudicando os pequenos vendedores, em favorecimento aos mega vendedores”. Eles falam também em possível migração para outros sites de livros usados. Eu telefonei para proprietários de sebos em Belo Horizonte e o que captei é que não há uma forte mobilização local, mas eles, de modo geral, estão acompanhando a situação. São contra o aumento colocado em prática pelo portal. Alguns participaram do protesto com retirada temporária de seus acervos, outros assinaram a petição online, e todos estão atentos à movimentação dos colegas livreiros que é maior em outros locais, como São Paulo, para avaliarem os rumos a tomar. Pelo que observei no Estante Virtual, Belo Horizonte tem 70 sebos cadastrados ali.  O impasse está sendo assim instalado e vamos acompanhar onde vai culminar. Se há sempre algo do positivo a se observar, é ainda a força desse mercado de títulos usados. Eu que sou um entusiasta do livro físico, assisti outro dia a uma palestra do escritor Fernando Morais na Feira do Livro de Ribeirão Preto (SP), em que ele disse que os livros vão acabar, com a disseminação dos e-books a preços mais acessíveis. A briga dos donos de sebos com a Estante Virtual indica que esse fim dos livros ainda vai demorar. Só o acervo estimado desse portal é de 12 milhões de títulos. 

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