Tabela terá versão e-book em inglês, português e italiano

iG Minas Gerais | Daniel Oliveira |


Compositora, Cimbleris faz obras para orquestra e trilhas sonoras
Ana Cimbleris
Compositora, Cimbleris faz obras para orquestra e trilhas sonoras

Apesar do caráter universal da publicação, a Tabela Cimbleris de Instrumentação foi aprovada somente no Fundo Municipal de Cultura. O projeto não passou na Lei de Incentivo Estadual e, com isso, os 10 mil exemplares da tiragem inicial serão distribuídos apenas em Belo Horizonte.

“Existe um problema de categorização. Mesmo no Fundo, nós entramos como ‘Catálogo’, que não é exatamente o que a Tabela é”, explica. A Fundação Municipal enviou alguns exemplares para cidades do interior, como Barbacena. Mas, para quem está fora da capital e estiver interessado pelo mapa da mina criado pela professora, a solução vai ser provavelmente esperar por pelo menos mais um mês.

Esse é o prazo previsto por Cimbleris para a publicação da Tabela em formato e-book por uma editora italiana. A publicação será em inglês, português e italiano. “A princípio, será compatível apenas com Mac – iPhones, iPads etc – porque é a forma mais segura de evitar pirataria”, justifica.

Mesmo que Cimbleris brinque que não quer ninguém fazendo dinheiro com seu trabalho, o caráter gratuito da Tabela vai continuar na edição virtual. Quem quiser consultar apenas um naipe musical ou um instrumento não precisará pagar nada. Apenas aqueles que desejarem ter acesso ao conteúdo completo da publicação pagarão um preço “bem barato”, segundo a professora.

“Mesmo na distribuição aqui em Belo Horizonte, eu devia ter cobrado R$ 1 porque quando é de graça, as pessoas não valorizam”, ri Cimbleris. Mais de 90% dos exemplares já foram distribuídos pelos 14 pontos escolhidos na capital. A entrega foi feita antes do início das férias escolares, já que a maioria é instituições de ensino, como a UFMG e a Uemg. O ponto central de distribuição será o Palácio das Artes, no centro. “Quem quiser deve pegar rápido porque não são muitos. Não precisa ser aluno do Cefar nem comprovar nada”, avisa a professora.

O fundamental, segundo ela, é que os compositores entendam que a Tabela não é só para quem trabalha com música clássica, erudita ou contemporânea. A própria Cimbleris trabalha bastante com teclado e música eletrônica e comprova o uso da publicação diariamente.

“Muitos alunos compõem em teclados virtuais, usando notas que não seriam possível atingir com instrumentos acústicos”, avalia. Mesmo adepta da liberdade e do “poder de viajar e costurar ideias louquíssimas”, ela explica que, para que o som fique mais real na utilização de instrumentos eletrônicos, é necessário seguir as regras. “A orquestra nada mais é que um grande teclado: a mistura de sons que vão criando timbres e texturas. É para isso que o teclado foi criado”, compara.

É para preparar seus alunos para que eles usufruam o máximo dessa liberdade que a professora vem oferecendo cursos, workshops e seminários há décadas. A Tabela Cimbleris de Instrumentação é uma síntese do poder ilimitado contido no domínio das regras.

Uma vez que elas são conhecidas, todo o resto é dispensável. Ela se lembra de um curso de composição que foi convidada a ministrar no Palácio das Artes e misturava alunos da UFMG, Uemg e de projetos sociais, como o Trem Tan Tan. No meio da oficina, que deveria resultar em uma apresentação no final, seu assistente veio até ela, desesperado com a vastidão dos níveis de conhecimento, objetivos e preparação da turma. Cimbleris olhou para ele, tranquila. “Eu disse que não importava a harmonia, não importava o ritmo. O que importa é o amor”, resume.

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