Inveja, potente estimulante para muitas atitudes

iG Minas Gerais | Kênio Pereira |

Existem atitudes que são inexplicáveis à primeira vista, sendo comum aquele que pratica o ato malicioso utilizar justificativas ilógicas ou confusas, pois em geral o invejoso não tem coragem de assumir a motivação real de sua ação, pois é covarde. Ele distorce os fatos e quando indagado para explicar detalhadamente, por escrito, a razão da atitude ou posição, foge do assunto e não assume o que disse.

MAIOR PROXIMIDADE AUMENTA O RISCO

A valorização do consumo e da competição tem tornado um desafio conviver com determinadas pessoas em um condomínio, no trabalho ou em uma entidade, onde alguns não sabem disputar ou respeitar o próximo.

Se o invejoso fosse facilmente identificável, ninguém se arriscaria a morar no mesmo edifício, já que este, quando resolve assumir funções de destaque ou participar efetivamente de uma coletividade, grupo ou entidade, é capaz de criar situações insuportáveis para sabotar a convivência.

O problema é que esse “câncer social” age de forma dissimulada, às vezes bajulando, sendo um perito em intrigas, fofocas, em vez de se preocupar com a sua vida e trabalhar de forma digna e honesta.

SUCESSO NO BRASIL INCOMODA MUITO

Há gente que tem medo de se destacar profissionalmente em alguns locais pelo risco de se tornar vitrine e passar a receber pedradas. Oscar Wilde, cita que “o número dos que nos invejam confirma as nossas capacidades”.

Todos nós já ouvimos a história de funcionário público recém-empossado que é perseguido pelos colegas antigos, caso insista em trabalhar muito e rapidamente, pois exporá a incompetência dos demais.

Em maio, assisti a uma palestra ministrada pelo criador da Embraer, Osires Silva, que falou que ficava intrigado por o Brasil não tem nenhum prêmio Nobel, pois quase todos os países, inclusive na América do Sul, têm personalidades que o conquistaram. Numa conversa com os suecos da entidade que concede o prêmio, após insistir, ouviu a explicação: “Quando um profissional de qualquer país se candidata, todos os órgãos e autoridades do país fazem de tudo para promover o seu patrício. Mas, quando o candidato é brasileiro, fazem de tudo para derrubá-lo. Vocês brasileiros, são os maiores destruidores de heróis deste planeta”.

INVEJOSO PODE SER INTELIGENTE, MAS TAMBÉM PREGUIÇOSO

O invejoso cria situações inconfessáveis nos condomínios, em comunidades na internet, em sindicatos e associações, sendo mais grave quando o mentor possui cursos superiores e boa oratória, pois utiliza seu conhecimento para o mal, de maneira engenhosa e articulada.

Não há nada de errado em desejar ser como alguém talentoso, que obteve sucesso e se esforçou para ser reconhecido, pois desejar melhorar de vida e espiritualmente é uma qualidade. O problema é quando a pessoa assume uma postura patológica, que gera danos até a seus parceiros que não percebem sua verdadeira motivação, pois gasta sua energia para perseguir quem deseja ser, a ponto de envolver a coletividade com suas fantasias e delírios.

O pai da neurociência moderna, Ramón Cajal, explica que “a inveja é tão vil e vergonhosa que ninguém se atreve a confessá-la”. Por isso, é importante identificarmos o invejoso, pois ele não se limita a desejar o que o outro tem ou conquistou. Zuenir Ventura menciona no livro “O Mal Secreto” que “ciúme é querer manter o que se tem; cobiça é querer o que não se tem; inveja é não querer que o outro tenha”. Assim, o invejoso não se limita a ficar triste pelo bem alheio, mas tem prazer pelo mal que pode causar ao próximo. No próximo artigo darei exemplos de conflitos de vizinhança e de processos judiciais motivados por esse sentimento.

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