Se jogar como está jogando, Brasil não passa pela Colômbia

Escrete canarinho não tem feito bons jogos na Copa do Mundo e não empolga; vários erros precisam ser corrigidos para vencer os Cafeteros, uma das sensações deste Mundial

iG Minas Gerais | GABRIEL PAZINI* |

Fabrizio Bensch/AP
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Com o emocional em frangalhos, o Brasil ainda não empolgou nesta Copa do Mundo. O time joga mal, apresenta vários erros e parece não ter alternativas, nem psicológico para reverter situações adversas. O grupo de jogadores é ótimo, dos melhores do Mundial, mas a equipe, que parecia tão bem definida antes do torneio, ainda não existiu no campeonato.

Na vitória contra o Chile, o escrete canarinho fez um primeiro tempo razoável e abriu o placar aproveitando a tão conhecida e discutida fraqueza chilena da bola aérea - a Roja tinha a menor média de altura da Copa. No entanto, depois da falha de Hulk e do gol de Alexis Sánchez, a seleção desmoronou. Como em outros jogos, sentiu muita pressão e mostrou um despreparo emocional inacreditável para uma seleção brasileira cheia de grandes jogadores. Um exemplo é Thiago Silva, melhor zagueiro do mundo, que não está sendo o líder que o Brasil precisa. Onde já se viu o capitão do time, na hora da decisão, ficar sentado em cima da bola chorando?

E depois de empatar, a equipe chilena fez seu jogo e dominou a partida. Teve mais posse de bola, criou chances de gol, trocou passes com muita movimentação de seus jogadores e fez boas jogadas. O Brasil não conseguia reagir. O gol chileno parecia questão de tempo. Não aconteceu porque o time se acabou fisicamente pelas lesões de seus principais nomes. Os três exemplos claros são Vidal, que foi substituído; Alexis Sánchez, que mal se aguentava em pé; e Medel, que no sacríficio extremo, não conseguia andar na prorrogação - ele jogou com infiltrações. O escrete canarinho deu sorte, muita sorte. Era pra ter sido eliminado no tempo normal nesse sábado. E ainda teve aquela bola no travessão no último minuto do tempo extra.

É claro que o Chile tem seus méritos, no entanto, o jogo também serviu para as falhas brasileiras ficarem ainda mais nítidas. Em vários momentos do jogo, o time de Felipão atuou com os setores muito distantes, dando muito espaço ao adversário. O time não joga de forma compacta e parece que são três blocos distintos: defesa, meio-campo e ataque, e não uma equipe compacta, na qual os setores conversam um com ou outro. Não é à toa que o time dá muito espaço ao adversário e o jogo ofensivo deixa, e muito, a desejar. Contra a Roja, nem mesmo Neymar, que vinha sendo um dos melhores da Copa, fez uma boa partida. O camisa 10 sumiu no segundo tempo e na prorrogação. E a verdade é que, tirando Julio Cesar e a dupla de zaga, ninguém se salvou em mais uma fraca exibição do escrete verde-amarelo.

Outra questão é a teimosia de Felipão. Era nítido que Hulk precisava sair e Willian deveria entrar para o Brasil ganhar mais o meio-campo e ter um meia para dialogar com Neymar e Oscar, além de aproximar mais os setores. A entrada de Bernard para ser uma válvula de escape pelos lados do campo também era necessária. Felipão não quis nem saber, teimou com suas convicções até o fim e manteve o mesmo time, independentemente da nítida percepção de que a equipe precisava de mudanças urgentes. Não dá para entender o porquê de a seleção ter um grupo de 23 jogadores tão bom. O treinador não o usa! Por pura teimosia, não muda o time. E quando muda, ou demora demais como foi com Fernandinho, ou mexe mal, como foi contra o Chile.

São vários problemas para corrigir em pouco tempo. O time precisa jogar de forma mais compacta, o individual e coletivo precisam melhorar, o psicológico da equipe não pode ser tão fraco como tem sido, e Felipão tem de ser menos teimoso. É bem verdade que uma classificação dessas faz o grupo refletir e pode dar ânimo para solucionar os problemas. O Brasil tem potencial para jogar muito mais e pode muito bem ser o time que pode ser contra a Colômbia, fazer uma bela partida e caminhar para conquistar o hexacampeonato. No entanto, com o futebol mostrado até aqui, não ganha dos Cafeteros.

E como se não bastassem todos os problemas, Felipão perdeu seu meio-campista mais regular para o próximo duelo. Luiz Gustavo está suspenso e não pode jogar as quartas de final. O ideal seria a entrada de Hernanes. Com isso, Fernandinho jogaria como primeiro volante, como atua no Manchester City, e Hernanes seria o segundo volante. Os dois têm qualidade para defender, armar e chegar ao ataque, e acredito que o Brasil, assim, teria dois volantes que se aproximam mais dos outros setores da equipe. Além disso, a entrada de Willian no lugar de Hulk é necessária para o escrete canarinho ter três meias que dialogam e não que ficam separados: um na direita, outro no centro e um na esquerda. Com Willian se aproximando de Oscar como faz no Chelsea e os dois trocando de posição e também combinando jogadas com Neymar, o Brasil pode ter mais movimentação no meio-campo, aproximar os setores e jogar de forma mais compacta, além de ter mais criatividade. Essas mudanças são vitais e necessárias na seleção. Resta ver se Felipão irá executá-las ou se, como de costume, vai manter o mesmo time.

Cafeteros encantam

E enquanto a seleção brasileira não agrada totalmente, a Colômbia é uma das sensações da Copa do Mundo. Após a merecida vitória - e até fácil, o time teve o controle das ações durante o jogo - por 2 a 0 sobre o Uruguai, os Cafeteros fizeram história e chegaram pela primeira vez nas quartas de final de um Mundial. O time tem 100% de aproveitamento no torneio, com quatro vitórias em quatro jogos, e o interessante é que apenas um triunfo foi por diferença de apenas um gol (2 a 1 na Costa do Marfim). Todas as outras vitórias foram largas: 3 a 0 na Grécia, 4 a 1 no Japão e 2 a 0 no Uruguai.

Além disso, o jogo mostrado encanta. A Colômbia joga um futebol bonito, ofensivo, incisivo. São muitas trocas de passes, o time se movimenta muito e joga com os setores dialogando - exatamente o contrário do Brasil. E se, coletivamente, os Cafeteros estão bem, individualmente, a fase também é excelente. E os destaques, é claro, são James Rodríguez e Juan Cuadrado.

O camisa 10 foi eleito o melhor jogador da primeira fase da Copa e é o artilheiro do Mundial com cinco gols. Além disso, Rodríguez deu duas assistências e, contra o Uruguai, marcou aquele que é o gol mais bonito do torneio até aqui. O talentoso meia do Monaco está jogando demais. Cuadrado, por sua vez, deu quatro passes para gol em quatro jogos e é o coadjuvante que poderia muito bem ser protagonista, não fosse por James. Além dos meias, a dupla de volantes Sánchez e Aguilar faz uma bela Copa, a defesa está bem e Ospina tem mostrado muita segurança debaixo das traves. O técnico José Pékerman, que faz um belo trabalho na Colômbia, armou um excelente 4-4-2 para a sua equipe. E olha que os Cafeteros ainda contam com boas opções no banco, como Guarin, por exemplo. Sim, o excelente meio-campista da Inter de Milão é reserva.

 

*Com supervisão de Leandro Cabido.

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