Imprensa ‘gringa’ se surpreende com tamanho e estrutura de BH

Jornalistas de outros países destacaram as dimensões da cidade, mas reclamaram do metrô

iG Minas Gerais | Bárbara Ferreira /Bernardo Miranda /FERNANDO ALMEIDA |

Obras na Pampulha. “Cheguei na segunda-feira (passada), e já havia muito trânsito por causa de uma obra na Pampulha. Isso me surpreendeu por ser durante a Copa.
JOÃO GODINHO
Obras na Pampulha. “Cheguei na segunda-feira (passada), e já havia muito trânsito por causa de uma obra na Pampulha. Isso me surpreendeu por ser durante a Copa." - Esteban Pagán – Porto Rico
A Copa do Mundo trouxe os holofotes da imprensa internacional para o Brasil, com destaque para as 12 cidades-sede que recebem os jogos e mais turistas. Entre elas, está Belo Horizonte, que, mesmo longe de ser uma das mais procuradas, tem ganhado elogios em jornais de outros países. Para esses profissionais da imprensa ouvidos pela equipe de O TEMPO, os aspectos mais surpreendentes da capital mineira são a estrutura e a dimensão da cidade, que mesmo pequenas, se comparadas às do Rio de Janeiro e de São Paulo, revelam características de metrópole.  Ao mesmo tempo em que uma cidade grande leva vantagens por oferecer, por exemplo, uma gama variada de serviços e mais opções em transporte público, alguns pontos considerados críticos nessas duas áreas foram percebidos em breves estadias na capital. “Fiquei surpreso com o tamanho da cidade. Não esperava que fosse tão grande e achei essa característica positiva. Os serviços funcionam bem, e as pessoas são gentis. Porém, a distância traz outros problemas. O metrô vai a poucas áreas e não me ajudou. Um estádio desse tamanho (Mineirão) não conta com uma estação de metrô perto, o que seria regra em qualquer outra metrópole do mundo”, destacou Carlos Riviera, repórter chileno do jornal “El Dia”.  Alguns estrangeiros relataram ainda falta de informações para conseguir locais acessíveis de hospedagem. “Por não ser uma cidade turística, a população não tem noção dos lugares melhores e mais baratos. Enfrentamos dificuldades para conseguir estadia”, destacou Jair Moná, do jornal colombiano “El Ariqueno”. Por outro lado, esses profissionais não deixaram de comentar sobre a arquitetura da capital e alguns de seus pontos turísticos, como a praça da Liberdade, na região Centro-Sul, e a lagoa da Pampulha.  Pacíficos. Morador da Inglaterra há quase 30 anos, o carioca Pedro Redig, que atualmente trabalha na emissora britânica Skynews, também se impressionou com Belo Horizonte. Ele se considera um “brasileiro gringo” e diz que nunca havia visitado a capital mineira. Para ele, o bairro de Lourdes é tão ou mais sofisticado do que muitos locais do Rio de Janeiro e São Paulo, e o nosso Move está aparentemente em ótimas condições.  Redig classificou os mineiros como um povo tranquilo e hospitaleiro, o que afasta as brigas relacionadas a rixas de futebol. “Mesmo sabendo que houve uma confusão na Savassi entre brasileiros e argentinos, achei o clima muito pacífico. Com tanta bebida, se fosse uma festa na Inglaterra ou na Alemanha, te garanto que as brigas seriam muito mais frequentes”.  Opções de lazer Os pontos turísticos e circuitos artísticos também chamaram a atenção dos jornalistas estrangeiros. Os destaques foram o complexo da Pampulha, Circuito Cultural da Praça da Liberdade e o Instituto Inhotim – centro de arte contemporânea localizado em Brumadinho, na região metropolitana. O Inhotim foi tema de uma matéria no jornal britânico “The Guardian” e apontado pelo jornalista Vicky Baker como uma gigante galeria a céu aberto. Ele recomendou o local e destacou, principalmente, a dimensão e a riqueza do acervo. A reportagem compara o museu a uma “Disneylândia Cultural”.  Recepção nota 10 Foi unânime entre os entrevistados de que o maior diferencial dos mineiros é a sua personalidade. O colombiano Jair Mona, do jornal “El Ariqueno”, disse que, no Estado, “todos são muito gentis e nos recebem com muita atenção e disposição para ajudar, sem preguiça”. Já o repórter indonésio Yudie Thirzano, do jornal “Kompas”, conseguiu até fazer comparações estaduais. “Os paulistas trabalham muito e andam rapidamente pelas ruas, já os cariocas são mais tranquilos e curtem a natureza. Ainda não sei bem como definir o povo de Minas Gerais, mas acho que são pessoas calorosas, e isso as destaca”. Reforço policial dá mais segurança O aparato policial empenhado na Copa também teve uma repercussão positiva entre os jornalistas estrangeiros. Para eles, é notável que há militares em todos os principais pontos da cidade, mas a maioria se pergunta se isso é comum ou se foi algo específico para o Mundial. “Me senti bem seguro andando pela cidade. Todos os pontos em que passei estavam bem sinalizados, mas acredito que essa estrutura seja apenas em função da Copa do Mundo”, destacou Carlos Riviera, jornalista chileno.  O argentino Alfredo Camponovo, do canal oito de Córdoba, também afirmou ter se sentido seguro na cidade e conta que não esperava por isso. “Fui avisado de que no Brasil tinha muitas favelas e que deveríamos ter cuidado ao sair à noite. Em Belo Horizonte, andei por todas as ruas, vi policiais em todos os pontos e em nenhum momento tive medo. Isso foi muito positivo”. Camponovo se sentiu em casa, por achar que a capital mineira lembra a Argentina. 

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