Mães dão um basta às pressões

Da escolha do parto à amamentação, elas contam como se sentem cercadas

iG Minas Gerais | Litza Mattos |

Paola, com Marcello e a filha Maria Clara, 1 ano e 11 meses, diz que as comparações são prejudiciais
Miriam Massei/divulgação
Paola, com Marcello e a filha Maria Clara, 1 ano e 11 meses, diz que as comparações são prejudiciais

Muitos acreditam que, quando nasce um bebê, nasce uma mãe, e com ela vem a culpa. A escolha do parto, o tempo de amamentação e até a alimentação dos filhos são apenas algumas das muitas questões que costumam vir carregadas da pressão pela maternidade perfeita.

E é quando elas não conseguem alcançar todas as expectativas alheias ou as próprias que a bate a sensação de frustração. “Nunca fui incentivada a amamentar, mas amamento até hoje, pois deixei claro que amamentaria até os 2 anos. Pra que fui fazer isso? Agora começaram a me perguntar quando irei parar de amamentar, afinal, daqui a menos de um mês a Clara completa seus 2 anos”, conta a nutricionista Paola Preusse, 35.

A mesma situação é vivida pela administradora Camila Gomes, 21. Mãe aos 17 anos, ela diz que no seu caso também vieram os julgamentos. “Muitas pessoas me julgavam e diziam que esse papel de mãe seria preenchido pela minha mãe ou sogra por causa da minha idade. Porém, eu tomei a frente e decidi fazer a maternidade perfeita do meu jeito”, conta a mãe do Murillo, 3.

De acordo com a ginecologista e obstetra Inessa Beraldo, esse sentimento de culpa costuma aparecer desde o início da gestação, mas é depois que o filho nasce que isso se exacerba, porque a mulher tem que se dividir entre o filho, o trabalho e as outras atividades domésticas. “As comparações e a dificuldade de impor limites atualmente contribuem para esse sentimento”, diz.

A comparação é, para Paola, o que mais acirra a concorrência. “As mães se vangloriam por suas escolhas, mas fazem isso alfinetando as que estão no grupo contrário. Quem não amamenta diz se sentir mal quando dá mamadeira para o seu filho; já quem amamenta um bebê maior de 1 ano é condenada por dar de mamar para uma criança grande”, diz.

Contestar a questão da amamentação, segundo a diretora da Associação de Ginecologistas e Obstetras de Minas Gerais (Sogimig), é um erro, pois envolve aspectos pessoais. “Amamentar não é instintivo, é algo aprendido. A mãe e o recém-nascido vão se adaptando ao longo do crescimento. Por isso, ter uma equipe multiprofissional por perto é importante para esclarecer as dúvidas. Da mesma forma para o parto. Se não for possível o (parto) normal, isso não é anormal, pode acontecer. Não se deve impor que o parto normal ou a cesariana são ruins. O intuito deve ser a segurança da mãe e do bebê”, explica Inessa.

Conceitos

Opinião. No livro “O Sentimento de Culpa”, escrito pelos psicanalistas Julio Cesar Walz e Paulo Sérgio Guedes, o sentimento é abordado como a não aceitação dos defeitos e erros, além da confusão nos conceitos de culpa e responsabilidade.

Os erros

Confissões de uma mãe real:

Deixo meu filho na frente da TV para poder fazer as “minhas coisas” mais tranquilamente.

Já deixei meu filho sem tomar banho ou escovar os dentes para não ter que acordá-lo.

Já tirei meus filhos da rotina quando foi conveniente para mim e não para eles.

Às vezes estou com eles, mas sem dar a atenção necessária, pois fico mexendo no celular, WhatsApp, Instagram ou Facebook.

Já levei meu filho para a minha cama por preguiça de levantar.

Fonte: Juliana Freire Silveira, no blog Just Real Moms.

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