Reverberações no mercado

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Filme sobre vida de Hélio Oiticica teve suporte de crossfunding
Ivan Cardoso / Divulgação
Filme sobre vida de Hélio Oiticica teve suporte de crossfunding

Apesar de nova, a proposta da junção entre leis de incentivo e financiamento coletivo já provoca algumas alterações no mercado cultural. Uma das principais modificações notadas pelo sócio-fundador do site Partio, Carlos Rolim, é a maior participação de entidades privadas de todos os tamanhos como financiadoras. “Empresas pequenas não têm um departamento de marketing cultural e, por isso, não estão acostumadas a investir. Mas, com esse processo, notamos que muitas delas começam a visualizar essa estratégia como opção possível”, diz Rolim.

Bruno Beauchamps, que é um dos fundadores da plataforma Sibite, também observa como uma cultura de investimentos diretos em projetos culturais começa a ser provocada, desde o surgimento da prática do crowdfunding e, mais recentemente, com o funcionamento do crossfunding.

“Cada vez mais, o brasileiro coloca a mão no bolso para investir em um projeto em que ele acredita, apesar de, às vezes, não conhecer completamente o artista proponente. Acho que as pessoas estão mais engajadas e isso é um reflexo dessa postura que encontra semelhanças com o que ocorre em outros países, como os Estados Unidos”, observa Beuauchamps.

Para ele, o impacto dessas alternativas alcança tanto o público quanto patrocinadores que até pouco tempo não atuavam nesse segmento. “Já houve casos em que uma pequena empresa nos procurou para patrocinar um projeto repassando a quantia de R$ 1.000. Nós dissemos que era possível sim e quando fomos ver quem era a pessoa jurídica, descobrimos que se tratava de uma funerária. Isso diz muito do alcance desse mecanismo”, exemplifica.

Indagado se as propostas que alcançam sucesso via esses caminhos são aquelas de pequena ou média proporção, Bruno observa ser ainda cedo para identificar se apenas valores não muito robustos conseguem ser alcançados como meta, por meio dessas formas de financiamento.

“Hoje, no Sibite, nós temos desde projetos que têm como meta atingir R$ 6.000 até outros que chegam a R$ 500 mil. O que é preciso ter atenção é sobre a necessidade de planejamento porque cada iniciativa tem um desempenho diferente”, diz Bruno.

Ainda de acordo com ele, não só novos realizadores, mas artistas veteranos e até instituições do governo estão ficando mais atentas a esses fluxos de investimento. “Com isso, inclusive já há alguns estudos de uma legislação que regula essas práticas”, conclui. (CAS e VL)

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