Em apoio aos espaços do teatro

Campanha contra a especulação imobiliária em SP conquista outras cidades e aqui mira o Klauss Vianna

iG Minas Gerais | Carlos Andrei Siquara |

Ações. Rodolfo Vaz é um dos retratados por Guto Muniz para campanha lançada pela revista “Antro Positivo” e que defendeu o CIT-Ecum
Guto Muniz
Ações. Rodolfo Vaz é um dos retratados por Guto Muniz para campanha lançada pela revista “Antro Positivo” e que defendeu o CIT-Ecum

É consenso entre os artistas a importância de manter em atividade o Teatro Klauss Vianna. Localizado no edifício que agora pertence ao Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), a casa está com os dias contados e deve deixar de sediar espetáculos a partir de setembro. Para Amaury Borges, diretor da peça “Maxilar Viril”, em cartaz até hoje naquele espaço, essa decisão inspira, portanto, mais do que descontentamento.

Ele, como outros, vem chamando atenção para a necessidade de se aderir à causa de não deixar o lugar desaparecer do mapa cultural da cidade. Interessado em trazer uma contribuição, na próxima quarta-feira (2/7), Borges promove ali, às 20h, uma aula-espetáculo cujo intuito é justamente colocar em discussão a importância daquele teatro.

“Nós queremos convocar grupos, produtores culturais e técnicos das artes cênicas para falar sobre a ocupação desse espaço. Acho que essa situação atinge não só quem atua nos palcos, mas quem ajuda a fazer com que nossos trabalhos se concretizem. A própria população também precisa estar ciente do papel do Klauss Vianna para que nós possamos defender a sua permanência”, explica Amaury Borges.

De maneira semelhante pensa o fotógrafo Guto Muniz. No dia 16, ele convocou atores, entre outros profissionais ligados ao teatro e à dança, para participar de uma sessão de fotos no Galpão Cine Horto ecoando a campanha lançada em maio pela revista “Antro Positivo”. Com o slogan “Deixem o Espaço do Teatro em Paz”, a mobilização, que começou principalmente tendo em vista o cenário de São Paulo – em que sedes de grupos locais sofrem com a ameaça da especulação imobiliária –, vem conquistando adeptos em outras cidades, como o Rio de Janeiro e Belo Horizonte.

Aqui, a iniciativa, além de reverberar apoio a um problema de alcance nacional, ligado à desvalorização da cultura e da memória, mira também a condição do teatro Klauss Vianna. “Embora no presente a história seja um pouco diferente, se buscarmos a história desse espaço, ela também está atrelada a essa questão imobiliária, pois o teatro surge como uma contrapartida pela destruição do Cine Metrópole há mais de duas décadas”, observa Guto Muniz.

O fotógrafo ressalta que é importante agora ir além das campanhas via internet. “A estratégia de compartilhar essas fotos nas redes socais é muito interessante para mostrar a insatisfação da sociedade com esse contexto, mas é fundamental articular outras ações que sensibilizem a direção do TJMG e o governo estadual para que alguma atitude seja tomada em relação ao futuro desse espaço”, opina ele.

Uma dos retratados por Muniz, o ator Rodolfo Vaz pontua que uma vantagem de hoje, em relação há mais de duas décadas, é a possibilidade de se criar diferentes formas de articulação em prol da preservação de um patrimônio cultural e histórico.

“Se no passado, nós realizamos durante uma tarde um abraço simbólico ao Cine Metrópole, hoje nós podemos nos mobilizar por meio das redes socais, expandindo o alcance dessas manifestações”, afirma Rodolfo Vaz. Para ele, no entanto, além do engajamento da classe artística, é necessário que outros grupos da sociedade também se posicionem. “É a partir da união desses esforços que nós podemos tentar manter o mínimo de dignidade histórica dessa cidade”, conclui o artista.

Saiba mais

De acordo com Patrícia Cividanes, editora da revista “Antro Positivo”, 160 pessoas de São Paulo, Rio e BH foram clicadas para a campanha 

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