Sem fazer muito alarde

Ator conta que não imagina interpretar um tipo como seu atual personagem por conta de seu currículo na Globo

iG Minas Gerais | anna bittencourt |

Encontro. Humberto destaca alegria e importância em atuar pela primeira vez sob texto do autor Manoel Carlos
Jorge Rodrigues Jorge/CZN
Encontro. Humberto destaca alegria e importância em atuar pela primeira vez sob texto do autor Manoel Carlos

 

Já foi o tempo em que Humberto Martins era conhecido por interpretar papéis que exaltavam seu tipo físico. Atualmente, o ator tem feito personagens cada vez mais complexos, que exigem dele muito além do corpo malhado, bastante exposto em novelas ao longo da década de 90. Prova disso é o pacato Virgílio, defendido por ele na novela das nove, “Em Família”. Em seu primeiro encontro com Manoel Carlos, Humberto comemora poder desempenhar um tipo longe do maniqueísmo e que também não tem apenas ares de bom moço. “Pelos papéis propostos pela Globo para mim, nunca achei que fosse conseguir fazer uma novela desse tipo. Os conflitos são todos humanos”, explica. Na trama, Virgílio divide com Helena e Laerte, de Julia Lemmertz e Gabriel Braga Nunes, o triângulo principal da história. “Ele é um cara ressentido. Mas contorna tudo com muita compreensão e delicadeza”, define. Natural de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, Humberto apareceu pela primeira vez na TV fazendo figuração em “Vale Tudo”, em 1988. Seu primeiro papel surgiu no ano seguinte, em “Sexo dos Anjos”. De lá para cá, o ator já soma mais de 25 anos na Globo. Depois de muitos personagens do tipo galã – a maioria deles em tramas de Carlos Lombardi –, o ator acredita que o inescrupuloso Neco, do remake de “O Astro” foi um divisor de águas em sua carreira. “Esse personagem me deu a possibilidade de mostrar novas facetas do meu trabalho. Confiaram em mim e eu batalhei para corresponder às expectativas”, afirma.   Virgílio não tem muitos trejeitos ou características marcantes. Como foi o processo de composição do personagem? Não teve composição. É um personagem contemporâneo e isso tira muito o processo de montagem. É tudo mais interno, mais pensado, mais planejado de dentro para fora. Faz parte de encontrar o estado de espírito dele. A cicatriz é a única marca que ele carrega e, talvez, a mais importante. É o que culminou toda a tragédia e pautou a vida dele. Não é à toa que fico mais de uma hora na maquiagem para deixá-la pronta (risos).    Nas primeiras fases da novela, Virgílio foi interpretado pelos atores Nando Rodrigues e Artur Aguiar. Foi importante ver o trabalho deles para chegar na sua visão do personagem? Foi fundamental. Ver o início me fez pegar substâncias palpáveis de como seria esse homem adulto. Óbvio que ele amadureceu, que as pessoas mudam, mas foi muito proveitoso para ver como ele se desenhava desde pequeno. Ele não conquistou a maturidade aos 30 ou 40 anos, como foi o meu caso. Ele sempre foi um cara centrado, responsável. Serviu para eu pegar o tom do personagem, me inteirar sobre suas histórias e ver como ele se coloca nas situações e com as pessoas que o cercam.   “Em Família” marca seu primeiro trabalho com a autoria de Manoel Carlos. Como você vê esse encontro? Fiquei muito feliz. Foi um convite que partiu do próprio Maneco. Ao longo desses muitos anos de contrato com a Globo, sempre tive vontade de trabalhar com ele. Mas nunca achei que essa hora fosse chegar.   Por quê? Pelos trabalhos propostos pela Globo para mim. Sempre vi os trabalhos dele com bastante admiração, mas com certa distância. Os horários que eu fazia novela não batiam com o horário para o qual ele escreve. Me via meio longe de conseguir me encaixar em uma novela basicamente humana, com conflitos humanos. E tinha muita vontade de fazer por isso, porque era sem uma composição maior, diferente de tudo que eu já tinha feito.    Você costuma dizer que o Virgílio é o personagem que mais se parece com você. O que exatamente os une? Nós temos esse tom paternalista, que grita mais alto do que tudo. Eu também carrego um pouco dessa maturidade e inteligência emocional. A diferença é que a minha é adquirida. Com 53 anos, eu não sou mais tão impetuoso como era mais jovem. Ele, não. Sempre foi ponderado, condescendente. 

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