Devagar não se vai longe

Sem grandes emoções na trama, “Em Família”, folhetim de Manoel Carlos, caminha para sua reta final

iG Minas Gerais | anna bittencourt |

Elenco. Apesar de contar com atrizes experientes, trama do folhetim não empolgou o telespectador
Globo
Elenco. Apesar de contar com atrizes experientes, trama do folhetim não empolgou o telespectador

“Em Família” tinha todos os ingredientes para agradar ao público. O peso da assinatura de Manoel Carlos, a força da atuação dos personagens centrais, a tranquilidade de uma trama mais contemplativa, os discursos “café com leite”, as rixas que acompanham todas as famílias e outros temperos facilmente achados nos folhetins escritos pelo autor. No entanto, o que se viu foi o embate de todos esses fatores, que acabaram brigando entre si e empobrecendo o enredo construído por ele. Sempre coerente na hora de montar seus personagens e seus conflitos internos tão verossímeis, desta vez, Maneco pecou. Ficou difícil acreditar em certas histórias e, por isso, o público acabou abandonando a novela – que registra os menores índices de audiência do horário das nove de todos os tempos.

Depois do susto inicial com a disparidade na escalação de certos atores e suas idades – ainda é difícil acreditar que Ana Beatriz Nogueira, intérprete de Selma, possa ser mãe de Gabriel Braga Nunes, o Laerte –, as crônicas da elite da zona Sul carioca não convencem. As vilãs Branca e Shirley, de Ângela Vieira e Viviane Pasmanter, são as únicas que, de fato, movimentam a história. Com frases de efeito e cheias de preconceito, é mais aceitável achar que essas pessoas de fato existem do que acreditar que uma jovem pode querer se casar com homem que enterrou o próprio pai vivo, caso de Luiza, personagem de Bruna Marquezine. Outra trama difícil de “digerir” é o romance "à distância" de Clara e Marina, de Giovanna Antonelli e Tainá Müller. Antes o telespectador até podia não fazer tanta questão do tão falado beijo gay. Mas agora é difícil comprar a ideia do casal se ele não existe aos olhos do público.

Se as histórias não convencem, a média de 32 pontos no Ibope é mantida graças à boa atuação dos personagens, tanto os centrais quanto os periféricos. Se no time principal Gabriel Braga Nunes com o apático Laerte é o único que deixa a desejar, os outros atores cumprem seu papel com maestria. Pela primeira vez em um tipo mais cabisbaixo, Humberto Martins vem se destacando como o submisso Virgílio. Segura nas vezes em que aparece, Julia Lemmertz, a emblemática Helena, quase consegue segurar as pontas de viver um tipo tão chato. Vanessa Gerbelli e Natália do Vale, intérpretes de Juliana e Chica, com certeza são o destaque do elenco feminino. Em meio a tantos nomes já consagrados, Marcello Melo Jr. e Thiago Mendonça, o Jairo e o alcoólatra Felipe, se destacam com firmeza, consistência e credibilidade em seus papéis.

A três semanas de seu capítulo derradeiro – “Em Família” termina no dia 18 de julho –, a novela tem sido engolida pela Copa do Mundo. Indo ao ar mais tarde, quase às 22 h, cabe aos narradores dos jogos "chamar" o público para assistir à novela. O que não influencia muito no andamento da história. Com uma trama morna, a impressão é que tudo poderia terminar amanhã, sem gerar dúvidas no destino de seus personagens. E vida que segue.

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