A estrada dos tijolos amarelos com uma quadra de samba no final

Famosas como Fiorella Mattheis e outras personalidades "esticaram" jogo na Bud Mansion, evento VIP que chegou a Belo Horizonte

iG Minas Gerais | Daniel Oliveira |

Fiorella Mattheis no Mineirão
Reprodução do Instagram
Fiorella Mattheis no Mineirão

“Blurred Lines” do Robin Thicke nos acordes da banda Classic, aquele cheiro de perfume de Free Duty de aeroporto no ar, um verdadeiro batalhão de camisetas oficiais da seleção brasileira, que parece literalmente um uniforme, e várias mulheres com seus cabelos perfeitamente loiros usando óculos escuros às sete horas da noite. Você pode até chama-las de ‘yellow blocks,’ mas as 300 pessoas que comemoraram a classificação do Brasil às quartas de final na Bud Mansion belo-horizontina neste sábado vão engolir a crítica com muita bebida e comida de graça – e a ausência de vergonha de quem literalmente não deve nada a ninguém.

Experiência que começou em São Paulo na Copa das Confederações do ano passado, a “Mansão” foi importada para cinco capitais do país, inclusive Belo Horizonte, neste ano. 100 convites são colocados a venda (R$ 300 para homem e R$ 140 para mulher) e os outros 200 são distribuídos para uma lista de convidados bem mais estrelada que a seleção brasileira hoje.

“Tinha que ter lugar assim o ano inteiro, não só durante a Copa”, reivindica uma dessas estrelas, a atriz global Fiorella Mattheis. Na capital mineira para o jogo, ela assistiu à partida no estádio com o irmão e a cunhada. Mas apesar de admitir um “sofrimento” quase antológico, não era a primeira vez da atriz flamenguista em copas. “Vi a estreia do Brasil em São Paulo”, conta, acrescentando que também conhecia a Bud Mansion do Rio.

Em situação diametralmente oposta está seu colega de emissora, o ator Mouhamed Harfouch. Acostumado a ver as partidas em casa com a mulher e a filha, ele diz andar a pé e de ônibus, não se sentir nem um pouco yellow block, e foi a um jogo de Copa do Mundo pela primeira vez na abertura das oitavas hoje. “Gostei porque foi sem provocação e com muito respeito ao Chile. Se hoje foi inesquecível pra mim, é porque eles fizeram valer o jogo”, comemora o também flamenguista, lembrando que o herói da classificação, Júlio César, é um ícone rubro-negro.

Mas nem só globais estouraram champanhe na mansão mineira. Os pais da advogada Flávia Rocha, 30, moram atrás da casa no Cidade Jardim. Ela foi convidada, chegou com o jogo já iniciado e não estranhou o sofrimento que durou quase a tarde toda. “Sou atleticana. Fui pro Marrocos ano passado”, ela ri. E na comparação das duas partidas, ela vê só uma diferença. “A tristeza e a decepção são idênticas, um misto de fé e frustração, mas aqui a gente está feliz porque ganhou”, resume.

Já outros convidados estavam menos preocupados com o futebol. Fernando Freitas, 37, viu o jogo no estádio, mas estava achando a Bud Mansion bem mais interessante. “Quatro mulheres para cada homem, é maravilhoso”, constata o advogado gaúcho, convidado para a festa pelo amigo Fernando Campos, da Ambev. No mesmo clima ‘extasiado’ estava o belga Oliver Viatour. No Brasil desde quarta, ele está torcendo para a Bélgica, mas não está preocupado em ir ao estádio. “Mulheres brasileiras e futebol”, é o que trouxe o produtor de TV ao Brasil. Ele estava em dúvida entre 16 a 0 e 18 a 0 para o placar entre Bélgica e EUA.

Só que nem todo mundo curtiu essa vibe “faça amor, não faça pênaltis” da mansão. “Estava horrível, 140 reais jogados fora”, reclama Adriana Polati. A administradora de 31 anos foi à mansão depois da recomendação de uma amiga, mas achou o público estranho e os homens “metidos à besta”. Ela saiu de lá e foi direto para o Samba da Quadra, ali perto, no Cidade Jardim onde se sentiu bem mais em casa. “Aqui eu conheço todo mundo, e vai ter Rick & Ricardo. Amo sertanejo”, comemora.

Entre 1.100 “conhecidos” de Adriana esperados na noite do Samba, que ainda contaria com um show do grupo Trem das Onze, estava seu Domingos do Cavaco. O compositor e intérprete da Escola de Samba Cidade Jardim é um dos patronos da casa, mas viu o jogo no Estrela D’Alva. “Não quero dizer que vamos perder nas quartas, mas vai ser ainda mais difícil”, profetiza, com a sabedoria do alto dos seus 50 anos.

Bem menos contida em seu pessimismo está a designer de produtos Mariana Murta. “Achei que a gente fosse perder hoje de 2 a 1”, confessa. Outra habitué da casa, ela diz que não vem tanto porque, ao contrário de Adriana, não gosta do fato de ver sempre as mesmas caras. Mas veio hoje comemorar enquanto pode. “O Brasil não vai aguentar a pressão. Quer comparar esse time com a era do Ronaldo, Cafu? Vamos sair nas quartas. E eu odeio o Jô”, desabafa a boleira que, não precisa nem dizer, é cruzeirense.

Leia tudo sobre: bud mansionfestafiorella matheischampanhebrasilbelo horizontesamba