Premonição chilena por choro brasileiro se confirma

"Brasil vai chorar", dizia uma das músicas dos torcedores da La Roja, que mal sabiam que esta seria a vez deles lamentarem

iG Minas Gerais | GUILHERME GUIMARÃES |

Jefferson Bernardes/VIPCOMM
undefined

Jogos eliminatórios em Copas do Mundo são testes para cardíacos. Quem acompanha as partidas do lado de dentro do estádio, sentindo a forte vibração da torcida, sai de si, se transforma. Pessoas mais calmas deixam de ser tranquilas e são tomados por adrenalina, ansiedade. Em certas vezes até raiva. Os mais exaltados, de forma alguma, conseguem manter um autocontrole. Unha roída, batidas no peito, mãos na cabeça e olhos fixados no campo são características normais de quem vê grandes jogos da maior competição do futebol.

Essa mistura de sentimentos ganha ainda mais emoção quando, de propósito, resolve-se assistir um jogo de tamanha grandeza na torcida adversária. Fato que aconteceu neste sábado. O repórter que vos escreve viu, no Mineirão, o duelo entre Brasil e Chile, válido pelas oitavas de final da Copa, junto dos chilenos.

Fingindo ser de nacionalidade andina, até músicas de apoio a “La Roja” foram cantadas. E se apreensão foi à tônica durante os 90 minutos – marcados pelo empate em 1 a 1 -, a história se tornou mais grave quando houve a necessidade dos pênaltis. Terror total, aflição nunca sentida antes na vida.

Foi preciso encontrar aquele amigo de arquibancada, pessoa que sofre e comemora ao seu lado em todos os momentos. “Passou tudo na cabeça. Coração eu não sei como aguentou. Medo de um Mineirazzo. Imagina sair logo nas oitavas jogando em casa? Seria ainda mais triste que o Maracanazzo de 1950, quando perdemos para o Uruguai. Graças a Deus, tudo deu certo. Agora é continuar sonhando”, disse o paulistano Danilo, 37, que se intitulou como “Monocelha”.

Emoção é a palavra que melhor resume o fim do jogo no Gigante da Pampulha. Vários abraços, apertos de mão e choro de felicidade pelas defesas de Julio Cesar, um dos heróis do Brasil. A vitória do Brasil por 3 a 2, nos pênaltis, serviu para lavar a alma dos pés-quentes de Belo Horizonte.

“Essa sensação de felicidade é imensa, uma loucura. Chorei de felicidade. Vi uma criança chilena aos prantos na minha frente e isso me comoveu, me deixou um pouco mexida. Mas, esse é o futebol. Uns choram enquanto outros sorriem”, comentou a paulistana Marina Beluzzo, 25.

Uma das crianças que Marina viu chorando foi o jovem Pablo Concha, de apenas 14 anos. Garoto que arrancou lágrimas de seu pai, que tentava ao máximo esconder do filho sua tristeza. “Choro escondido, porque para ele tenho que ser forte. Mas, ver meu filho chorar me deixa muito triste”. Nessa hora até eu chorei e dei um abraço no senhor Concha.

“Queria ver o Chile classificado, mas enfrentamos os pentacampeões. Sabíamos que seria difícil. A gente sonhou, mas não deu. Pesadelo mais uma vez”, disse Pablo que não conseguia conter suas lágrimas.

Das histórias que marcam e são contadas pelo futebol, podemos dizer que os chilenos já previam, em um de seus cânticos, o fim do jogo. “Brasil vai chorar, Brasil vai chorar”. Eles só não sabiam que as lágrimas brasileiras seriam doces, de felicidade. Diferentemente das que saiam dos olhos chilenos. Amargas e salgadas pela decepção.