Mineirão em vários idiomas e uma tradução: futebol

Neste sábado, quase 30 nações estavam representados por jornalistas no centro de mídia do Gigante da Pampulha

iG Minas Gerais | GUILHERME GUIMARÃES |

Fotógrafos iniciam os trabalhos desde cedo para o duelo das 13h, no Mineirão, entre Brasil e Chile
FERNANDO ALMEIDA/WEBREPÓRTER
Fotógrafos iniciam os trabalhos desde cedo para o duelo das 13h, no Mineirão, entre Brasil e Chile

O planeta respira futebol  durante a Copa do Mundo e o centro das atenções, como não poderia ser diferente, é o Brasil. Palco do Mundial mais globalizado e midiático de toda a história, o país vê desde o início do mês de junho uma mistura cultural em suas 12 cidades-sede.

Essa diversidade de costumes e idiomas não fica restrita apenas aos torcedores, que chegam ao Brasil de diversas partes do globo. Os centros de mídia, locais de apoio que a Fifa oferece para a imprensa em todos os estádios, mais parecem embaixadas tamanha à pluralidade de idiomas falados nestes espaços.

Nos bastidores da partida entre Brasil e Chile, no Mineirão, válida pelas oitavas de final da Copa do Mundo, quase 30 nações estavam representadas: Suécia, Rússia, Suíça, França, Senegal, Inglaterra, Costa Rica, Índia, Canadá, Alemanha, Japão, China, Israel, Polônia, Itália, Estados Unidos, México, Argentina, Chile, Colômbia, Irã, Equador, Bangladesh e Venezuela.

Mesmo com a correria diária para a cobertura de jogos, diferença de fuso-horário, produção, edição e envio de conteúdo jornalístico para cada país de origem, os jornalistas, até pela necessidade, mantinham conversas para trocarem experiências, tanto pessoais quanto profissionais.

“Quando falei com os jornalistas brasileiros fui muito bem tratado. Foram conversas produtivas, trocas de experiências também com a imprensa de várias partes do mundo. Gente de muito fino trato. Foram poucos os contatos, já que trabalho para internet, rádio e televisão ao mesmo tempo. Mas, todas conversas muito satisfatórias”, disse Eugenio Salinas, da Radio Bio Bio do Chile.

Pela proximidade geográfica, a presença de “periodistas” latino-americanos chamava a atenção. No entanto, outros tantos profissionais vieram de mais longe. Como o italiano Marco Clemente, da RAI TV.

“É fantástico ver a imprensa de todo o mundo reunida. Trabalhamos muito e em certos momentos sinto que falta um tempo maior para essa interação entre escolas do jornalismo. Entretanto, vale ressaltar que gostei muito de Belo Horizonte, do tratamento das pessoas, principalmente”, avaliou.

E se o diálogo fica complicado pela falta de conhecimento de uma língua ou outra, a grande ajuda vem mesmo do futebol, que possui um vocabulário praticamente universal.

“O mais legal é ver o indiano conversando com o italiano, que conversa com o russo, com o espanhol , com o chileno e o japonês. Todos dão um jeito de se comunicar, fazem esforços para isso. Se não vai na embromação, a simpatia ajuda, assim como a língua do futebol, que é universal”, comenta Érika Gimenez, coordenadora-adjunta de atendimento à imprensa pelo Governo de Minas Gerais no Mineirão.

E quem fica longe de casa aproveita para “usar” os amigos como forma de matar a saudade. Caso da colombiana Ana Maria, da Caracol Televisión, de Caracas, que visita Belo Horizonte pela primeira vez.

“Tive conversas muito boas com os jornalistas e acho fantástica essa troca de experiências. É bacana ver que todos são prestativos, ajudam quando necessário e até quando a gente nem pede.Com esses diálogos minimizamos um pouco a saudade da nossa casa”, comentou.

Funcionário da ESPN Brasil, André Plihal, que participou de inúmeras coberturas internacionais pela emissora, fala da interação entre Brasil e mundo por meio do jornalismo.

“Os jornalistas têm pouco tempo e em certas horas se esquecem, entre aspas, de conversar com os companheiros de outras nacionalidades. Tanto no Brasil quanto fora eu não vejo diferença desse contato .Como estamos no nosso país, com mais profissionais falando a nossa mesma língua, isso talvez iniba um pouco essa interação internacional”, opina.