Emoção nas ocupações Dandara e Willian Rosa em dia de jogo do Brasil

Repórter visita ocupações Dandara e Willian Rosa em dia de jogo do Brasil; veja relato

iG Minas Gerais | BERNARDO MIRANDA |

ESPORTES. BELO HORIZONTE, MG.

O jornal O Tempo acompanhou as oitavas de final na ocupacao William Rosa.

FOTO: LINCON ZARBIETTI / O TEMPO / 28.06.2014
Lincon Zarbietti / O Tempo
ESPORTES. BELO HORIZONTE, MG. O jornal O Tempo acompanhou as oitavas de final na ocupacao William Rosa. FOTO: LINCON ZARBIETTI / O TEMPO / 28.06.2014

A bola rola na terra vermelha em disputa entre pares de pés 32 e 34. Os irmãos Isaac e Guilherme Duque, de 6 e 8 anos respectivamente só largam a pelada para ver o Brasil jogar. Correm para o barraco que chamam de casa, na ocupação Willian Rosa, em Contagem. Depois brigam com a antena de TV para conseguir uma imagem menos chuviscada no aparelho que funciona graças a um gato de luz. Embora a Copa do Mundo seja vista com uma visão crítica pelos movimentos de luta por moradia, os pais dos garotos se juntam à torcida.

“Se o Brasil ganhar, a pressão ao governo que nos nega uma casa fica menor, mas é inevitável torcer para a seleção”, diz a ajudante operacional Tatiane Santos, 26, uma das integrantes das 1.200 famílias da comunidade.

O sonho de seu filho Guilherme é se tornar jogador de futebol e jogar no Mineirão, mas por enquanto ele se contenta em pelo menos ir ao estádio como torcedor. “Meu time é o Cruzeiro, mas nunca fui no Mineirão. Minha mãe diz que é muito caro” reclama, antes de se vangloriar que na sua casa agora tem chuveiro quente.

Enquanto no Willian Rosa, a comunidade ainda está em formação, no Dandara, no Céu Azul, região Norte de Belo Horizonte, os vizinhos já se confraternizam em churrascos para acompanhar o empate persistente.

Iniciada em 2009, a primeira Copa que os moradores de lá viram no local foi em 2010, na África do Sul. Quatro anos depois as condições das cerca de 2.000 famílias  são bens melhores. “Minha casa era um cômodo de madeira, sem energia, hoje tá tudo em alvenaria e tenho três cômodos”, comemora o paisagista Manoel Alves, 36, pouco antes do alívio da vitória nos pênaltis.

“Foi sofrido igual a nossa luta pela casa própria”, desabafou antes de ir para a rua comemorar com os demais vizinhos que faziam churrasco na torcida pela seleção.

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