Ingressos furtados revoltam torcedores

Apesar de os ingressos terem sido comprados no site da Fifa, canal oficial de vendas, e serem nominais, a entidade se recusou a reimprimir os tíquetes, o que revoltou os torcedores

iG Minas Gerais | Ana Paula Pedrosa |

Dezenas de torcedores tiveram seus ingressos furtados, ontem, na esplanada do Mineirão, e não puderam assistir à partida entre Brasil x Chile. Apesar de os ingressos terem sido comprados no site da Fifa, canal oficial de vendas, e serem nominais, a entidade se recusou a reimprimir os tíquetes, o que revoltou os torcedores. "Se os documentos fossem conferidos, quem roubou meu ingresso não estaria lá dentro", disse o comerciante Jeffersin Farias. Ele lembrou que para comprar os ingressos e retirá-los no posto da Fifa os procedimentos são rígidos, o que não acontece na entrada do Mineirão.

"É o dia mais triste da minha vida", disse o comerciante Almir Ambrósio, que saiu de Muriaé com os dois filhos e ficou do lado de fora do estádio. Os tíquetes foram retirados do bolso dele dentro da área Fifa, já que ele apresentou os bilhetes na barreira policial antes de chegar ao estádio.

Os torcedores reclamam também da falta de informação e de amparo no estádio. A Polícia Militar informou apenas que poderia registrar um boletim de ocorrência. "Não quero só fazer B.O., quero ver o jogo", reclamou o funcionário público Enzo Queiróz. Ele saiu de Vitória (ES) com a noiva e um casal de amigos só para ver o jogo. Os quatro bilhetes foram furtados.

Os torcedores foram encaminhados ao Juizado Especial, onde também não conseguiram resolver o problema. Conforme O TEMPO noticiou no último dia 20, a Defensória Pública, que defende os torcedores, suspendeu o atendimento no Mineirão por divergências com a Fifa.

O advogado dativo Luiz Fernando Caravita, que atendeu aos torcedores, disse que a única solução era esperar que a PM identificasse quem entrou no estádio com os ingressos furtados. No jogo Colômbia x Grécia, quando a Defensória ainda atuava no Juizado, o órgão conseguiu um acordo com a Fifa para que 18 colombianos que tiveram os ingressos furtados pudessem assistir ao jogo.

Ontem, não havia nenhum representante da Fifa no juizado, o que revoltou a funcionária pública Emília Vioti. "Eu tenho a foto do ingresso no meu celular. Tem meu nome, a fileira, tudo direitinho, mas, mesmo assim, não resolvem nada, ninguém vem aqui explicar nada", disse. A Fifa foi procurada, mas não informou porque os ingressos não podem ser reimpressos mesmo com a apresentação dos documentos de quem comprou. A entidade também não esclareceu porque os dados dos torcedores não são conferidos na entrada do estádio.

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