Belo Horizonte, a capital da Copa

iG Minas Gerais |

O mínimo que se esperava como legado da Copa do Mundo em Belo Horizonte era a transformação do trenzinho de superfície que chamam de “metrô” e que não sai do lugar há décadas em um metrô de verdade, indo, pelo menos, até a “porta” do Mineirão e, consequentemente, às margens da lagoa da Pampulha. Mas, se chegasse até Confins, não seria ruim não! Até se a lagoa, nosso maior cartão-postal, tivesse deixado de ser um esgoto a céu aberto, já poderíamos nos considerar satisfeitos. Continuam prometendo tudo isso. Mas, se não fizeram sob toda a pressão gerada pelo Mundial, vão fazer depois por qual motivo? Anos a fio com o governo municipal sendo do mesmo partido de quem comanda o país há um bom tempo e é responsável pela CBTU, a gestora do trenzinho, não foram suficientes para concretizar uma obra tão importante para uma das principais cidades do país, que teima em derrapar com intervenções paliativas e “avenidistas”, que só incentivam, cada vez mais, o uso de carros, que continuarão, paulatinamente, travando as vias da cidade e poluindo ainda mais o nosso ar. Mas não há como negar que Belo Horizonte se transformou, ao longo da Copa, em uma das principais, se não a principal, cidades-sede da competição, muito mais por fatores extracampo. Os principais são atributos que a cidade sempre teve: boa comida, gente cordial e receptiva, belas e muitas mulheres, e um clima que mistura tudo o que proporciona uma metrópole com nuances de cidade do interior, sendo a principal, o calor humano. Além de tudo isso, o fato de a capital mineira ter conseguido receber seis jogos, sendo uma oitava de final e uma semifinal “feitas” para o Brasil estar nelas, também conta, e muito. A localização do Mineirão, com o amplo espaço em sua volta e com todo o complexo da Pampulha, é um diferencial que também está encantando muita gente. Este sábado, 28 de junho de 2014, entra para a história da cidade, tão nova ainda em comparação com suas “concorrentes” mais conhecidas. O jogo entre Brasil e Chile vai acontecer em um clima de muito entusiasmo, que deve continuar depois da partida. O dia ensolaradamente lindo, a temperatura amena e a eterna propensão do brasileiro para, apesar de tudo, ser feliz e fazer festa contagiam até os mais críticos com a realização da Copa no Brasil, como eu. É impossível não ter orgulho de tudo o que os estrangeiros estão falando da nossa cidade. Tomara que isso sirva, depois, para que percebamos o potencial de BH, que parece ainda ter salvação ambiental, urbanística, civilizatória mesmo.

Em campo Quanto ao jogo, o Brasil deve passar, embora presumo ser o duelo mais difícil da história entre Brasil e Chile nas Copas, até mais do que a semifinal de 1962, no Chile, quando a seleção se classificou para a final que lhe rendeu o bicampeonato. Por mais zebras que haja em Mundiais, tem uma hora em que a camisa começa a pesar, e será agora. Com a saída de Portugal, Espanha, Inglaterra, Itália e Rússia na primeira fase, a Copa se encaminha, e a passos largos, para uma final entre Brasil ou Alemanha contra Holanda ou Argentina.

Caso Suárez Todo mundo já falou e escreveu tudo o que tinha para falar e escrever sobre a punição ao problemático Luis Suárez, um caso que demanda muito mais tratamento psiquiátrico do que punição esportiva, mas não dava para a Fifa não, pelo menos, tirá-lo da Copa. Exageradas ou não, as sanções ao jogador eram prementes. Enquanto familiares e gestores da carreira do extraordinário atacante não o convencerem a se tratar, ele continuará a se auto-destruir e a demolir tudo o que tão bem constrói.

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave