Regionalismo que inspira

A maneira de decorar e trazer movimento para a casa diz muito sobre a cultura local

iG Minas Gerais | Ana Paula Braga |

Atemporal. Cadeira assinada por Oscar Niemeyer, com design de 1977, tem linhas orgânicas e custa cerca de US$ 45 mil
Bobinex/ Divulgação
Atemporal. Cadeira assinada por Oscar Niemeyer, com design de 1977, tem linhas orgânicas e custa cerca de US$ 45 mil
Mais bossa, mais natureza e mais vida. Muitos moradores têm uma forte ligação afetiva com os traços da nossa cultura local, e demandam, cada vez mais, que ela seja retratada pelos cenários da casa de maneira bem particular, já que contribuem para o resgate de memórias ou histórias da família. Os projetos contemporâneos de decoração têm conseguido explorar muito bem essa temática e, em busca de uma harmonia essencialmente brasileira, tiram partido de composições que garantem uma estética bonita e atual. A arte e seu artesanato também são outras vertentes que acabam cumprindo o papel de reforçar a valorização de elementos regionais no universo do design de interiores.    “Trabalhar elementos regionais na decoração é um dos meios mais eficientes para personalizar o décor. Tratando-se da cultura mineira, os recursos têm sempre uma pegada mais rústica, o que possibilita a criação de espaços mais intimistas, acolhedores. Porém, como são elementos com um marcante poder estético, devem ser usado com parcimônia, pois o uso excessivo pode deixar o ambiente datado e sobrecarregado”, explica a designer de interiores Laura Santos.   Saber inserir objetos e adornos em uma decoração, sem que ela se torne um espaço temático, é um trabalho que exige experiência e um olhar mais crítico, desde a peça em cerâmica, passando pelas mantas e almofadas bordadas à mão até a mobília toda trabalhada em madeira de demolição. “Pedra-sabão, tachos de cobre, mobília em madeira de demolição, ladrilho hidráulico, tramas naturais, colchas e almofadas bordadas à mão, peças em cerâmica...Tudo isso faz parte do repertório das formas estéticas mineiras que podem ser especificadas no projeto contemporâneo e urbano, dando mais personalidade a ele. O jeito de usar a casa também diz muito sobre a cultura regional”, ressalta a arquiteta Estela Netto.    Segundo ela, se a casa assume um estilo mais contemporâneo, usar poucos elementos da cultura regional pode enriquecer ainda mais o projeto de decoração. “Mas fazer uma réplica de uma casa do interior no meio urbano não fica legal, pelo contrário, fica estranho, desconfortável. Sendo assim, é mais interessante pontuar alguns elementos pelos ambientes da casa. Tudo de maneira harmônica e pontual”, acrescenta.    Referências Sob o comando dos artistas plásticos Eliza e Wagner Bravim, a grife mineira Helizart, com sede em Belo Horizonte, aposta todas as suas fichas na valorização do design e da arte do fazer à mão. Cores, traços marcantes e formas inovadoras conferem requinte e beleza às criações. No ateliê dos mineiros, as referências ao regionalismo cultural de Minas Gerais são um dos grandes destaques da produção, presente em adornos, móveis e objetos de decoração.    As flores do Cerrado, os tons terrosos da serra do Cipó e as águas que brotam das montanhas no distrito de Lapinha da Serra são belos exemplos de fontes inesgotáveis que impulsionam o desenho de cada peça. Vidro, cerâmica, ferro e madeira certificada são os materiais mais utilizados de maneira artesanal. “A natureza sempre me inspira, e a preocupação ecológica está presente em todas as fases da nossa produção artística”, confessa a artista plástica.    A diversidade da flora e da fauna no Brasil, as festas populares e a miscigenação dos povos foram fontes preciosas para as novas coleções de papel de parede desenhadas pelo designer Marcelo Rosenbaum para a empresa nacional Bobinex. Ainda quem não tenha viajado pelo interior do país, consegue identificar traços de sua cultura reproduzida em estampas modernas e cheias de cores. “De personalidade forte e marcante, as linhas têm decorações singulares e fazem referência à força e à vida da natureza”, pontua.    Criativo e inspirador, o novo escritório do Google, em São Paulo, também segue essa linha da cultura local, e sua decoração faz referência a alguns bairros da capital paulista, como a rua Augusta, no Centro, e o bairro da Liberdade, além das feiras livres e outros ambientes temáticos à moda brasileira. O local abriga cerca de 400 funcionários e alterna espaços abertos com restaurantes, salas de reunião, de jogos e de descanso. Uma delas, inclusive, lembra o estilo de uma fazenda, com estrutura em madeira e muitas redes para descanso nos intervalos. 

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