Governo de oposição sírio dissolve conselho militar por corrupção

A decisão vem um dia depois de o presidente americano, Barack Obama, pedir ao Congresso autorização para usar US$ 500 milhões para "treinar e equipar" a oposição moderada armada

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

O primeiro-ministro da oposição síria ordenou a dissolução do conselho superior militar do Exército Sírio Livre, uma instância da oposição moderada acusada de corrupção, segundo comunicado desta sexta-feira (27). A decisão vem um dia depois de o presidente americano, Barack Obama, pedir ao Congresso autorização para usar US$ 500 milhões para "treinar e equipar" a oposição moderada armada que luta contra o regime de Bashar al-Assad desde 2011.

A guerra civil na Síria, além opor as forças do regime Assad e a oposição moderada, tem também grupos radicais como Estado Islâmico do Iraque e Levante (EIIL) e a Frente Al Nusra, que buscam espaço para constituir um Estado islâmico. "O chefe do governo provisório [da oposição], Ahmed Toma, decidiu dissolver o conselho militar superior e levar seus membros ante o comitê de controle financeiro e administrativo do governo para que sejam investigados", diz o comunicado. "O chefe do Estado-Maior, general de brigada Abdel al Bashir, também foi destituído", afirma o texto, que pede "às forças revolucionárias efetivas na Síria a formação de um conselho de defesa militar e uma reestruturação total do Estado-Maior antes de um mês".

O Exército Sírio Livre é formado por soldados, oficiais e generais desertores, como Bashir, por exemplo, que se uniram aos civis que pegaram em armas depois que o governo Assad reprimiu os protestos que pediam reformas em março de 2011. De tendência moderada, o Exército Sírio Livre é vinculado à Coalizão Nacional Síria, aliança política de oposição e que recebe apoio logístico e militar dos EUA.

Nesta sexta-feira (27), o secretário de Estado americano, John Kerry, em visita a Arábia Saudita, pediu que a oposição síria combata os extremistas do EIIL para conter seu avanço na Síria e também no Iraque. Neste mês, o EIIL iniciou uma insurgência no vizinho Iraque, dominando várias cidades e ameaçando Bagdá.

O líder da Coalizão Nacional Síria, Ahmad Jarba, pediu por mais ajuda estrangeira para que possam combater os grupos radicais enquanto tentam derrubar o governo de Assad. Na última quinta-feira (26), Obama pediu US$ 500 milhões ao Congresso para treinar e equipar a oposição moderada. A verba faz parte de um fundo de US$ 5 bilhões para a luta contra o terrorismo através de iniciativas dos Departamentos de Defesa e de Estado.

A quantia está dentro do orçamento de contingências no exterior, para o qual a Casa Branca pede ao Congresso um total de US$ 65,8 bilhões, especialmente para a manutenção das tropas no Afeganistão e outras missões no Oriente Médio e norte da África.

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