Após decepção às vésperas de Copa, técnico faz história com algoz

O bósnio Vahid Halilhodzic foi demitido da Costa do Marfim em 2010 a menos de quatro meses do Mundial, e agora vive redenção

iG Minas Gerais | FOLHAPRESS |

Treinador bósnio que comanda a Argélia concedeu entrevista coletiva no Mineirão depois do treinamento
LÉO FONTES/O TEMPO
Treinador bósnio que comanda a Argélia concedeu entrevista coletiva no Mineirão depois do treinamento

 O treinador bósnio Vahid Halilhodzic, 62, chorou e ficou amargurado durante longo tempo em 2010. Foi culpa de uma surpreendente derrota para Argélia na prorrogação, nas quartas de final da Copa Africana de Nações. Ele acabou demitido da seleção de Costa do Marfim a menos de quatro meses da Copa do Mundo.

E então se desfez seu sonho de dirigir uma equipe na principal competição do futebol. A equipe marfinense, com Drogba, Yayá Touré e Gervinho, mantinha uma sequência impressionante até o isolado e decisivo revés. A zebra argelina arruinou dois anos de trabalho de Halilhodzic.

Nesta quinta-feira (26), porém, o técnico encontrou sua redenção. E no comando da Argélia. Ao empatar por 1 a 1 com a Rússia em Curitiba, a seleção árabe contrariou prognósticos e passou da fase de grupos pela primeira vez numa Copa.

Os argelinos quase surpreenderam a Bélgica na estreia, mas perderam por 2 a 1, de virada, em Belo Horizonte. Antes do empate com a Rússia, bateram a Coreia do Sul por 4 a 2 em Porto Alegre, para onde retornarão segunda-feira (30) para encarar a Alemanha nas oitavas de final.

Há três anos, Halilhodzic comanda o selecionado da Argélia. Resistiu ao vexame da lanterna do grupo na Copa Africana de 2013, com derrotas para Tunísia e Togo e, curiosamente, um empate com Costa do Marfim.

Entre a demissão na seleção marfinense e o desembarque no norte da África, Halilhodzic sofreu outra decepção. Foi demitido pouco antes de o Dínamo Zagreb assegurar o título croata com campanha irrepreensível, em 2011. Uma situação parecida à que vivera no ano anterior.

Mas ele já estava acostumado aos percalços. No começo da carreira de técnico, ainda tentando se afirmar na nova função, ele precisou deixar a Bósnia, que lutava pela independência da Iugoslávia. Ele chegou a dormir no carro depois que sua casa foi incendiada.

Seu trabalho engrenou com o título da Liga dos Campeões da África de 1997, pelo marroquino Raja Casablanca. Em seguida, Halilhodzic consolidou-se no futebol francês e iniciou uma peregrinação.

EM CAMPO

Vahid Halilhodzic atuou como atacante nas décadas de 1970 e 1980. Foi campeão e artilheiro do Campeonato Francês em 1983, pelo Nantes. Virou goleador de novo em 1985. Depois transferiu-se para o Paris Saint-Germain.

Vencedor do Europeu sub-21 de 1978 como o destaque da Iugoslávia, foi reserva na Copa de 1982. 

Como treinador, seu nome será bem mais lembrado em Mundiais.