Acréscimos crescem 25%, e jogos da Copa ganham minuto extra em 2014

iG Minas Gerais | FOLHAPRESS |

Fernando Torres é
Bernat Armangue/Assopciated Press
Fernando Torres é "atropelado" por chilenos no jogo em que a Espanha foi eliminada da Copa

Os jogos da Copa do Mundo no Brasil estão em média um minuto mais longos do que foram na África do Sul. E a culpa por esse tempo extra das partidas é do apito. Em relação a quatro anos atrás, os árbitros ficaram 25% mais generosos na hora de definir os acréscimos.

Levantamento feito pela reportagem mostra que as partidas da primeira fase da Copa de 2014 tiveram em média 5min18s de acréscimos, somando os descontos dados pelos árbitros no fim do primeiro e segundo tempo. Depois do mesmo número de partidas no Mundial passado, o tempo extra médio concedido para cada confronto era de 4min18s.

A maior mudança está nos acréscimos da etapa final. Se em 2010 o normal era o árbitro conceder três minutos além dos 45 regulamentares, agora a marca usual é de dar quatro minutos adicionais. E já não é mais tão estranho ver o quarto árbitro levantar a placa apontando cinco minutos a mais (seis vezes até o momento) ou até seis, como na vitória por 2 a 0 do Chile sobre a Espanha, que eliminou a atual campeã mundial da competição.

O gosto da arbitragem na Copa por partidas mais longas já fez vítimas. Portugal impediu a classificação antecipada dos Estados Unidos ao marcar o gol do empate por 2 a 2 aos 50 min da etapa final.

A Costa do Marfim perdeu a vaga para a Grécia graças a um pênalti convertido só aos 48 min do segundo tempo.

Procurada pela Folha, a Fifa disse que o aumento no tempo dos acréscimos é apenas uma "coincidência" e que não houve nenhuma instrução específica dada aos juízes para estenderem os jogos.

Mas árbitros e ex-juízes do quadro da entidade dizem que há sim uma mudança na mentalidade do apito introduzida pelo órgão que gerencia o futebol internacional.

"A Fifa nos têm pedido para agir com mais inteligência e dar acréscimos maiores em caso de maiores interrupções. O que estava acontecendo é que estávamos padronizados demais. Todo mundo dava um minuto no primeiro tempo e três no segundo", diz o árbitro Francisco Carlos Nascimento, que pertence ao quadro da Fifa desde 2012.

Já o recém-aposentado Wilson Luiz Seneme, que chegou a ser pré-selecionado para trabalhar na Copa, disse que os juízes não podem ter medo de "dar cinco, seis ou sete minutos de acréscimo."

"Não recebemos nenhuma regulamentação de como devemos lidar com os descontos. O que há é uma cobrança para que apliquemos as regras. Existe uma cultura na América do Sul de acréscimos enxutos. Mas agora vamos seguir o que a Fifa determinou."

A lei sete do regulamento do futebol, que trata da duração da partida, diz que os acréscimos ao fim de cada período devem ser dados para compensar todo o "tempo perdido com substituições, atendimento e retirada de jogadores machucados de campo, desperdício [como demora na cobrança de tiros de meta e faltas e comemoração de gols] e qualquer outra causa".

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