Oportunidade para uns, abuso para os atrasados

iG Minas Gerais | Daniel Ottoni |

Davidson Malacco até gostaria de ir ao jogo, mas considera preços abusivos
FERNANDA CARVALHO
Davidson Malacco até gostaria de ir ao jogo, mas considera preços abusivos

Apesar da quase certeza de que o Brasil passaria em primeiro lugar no grupo A da Copa do Mundo e de que o time de Felipão faria o jogo das oitavas de final no Mineirão, muitos torcedores preferiram não comprar o ingresso para a partida por motivos diversos.

Agora, com a disputa entre Brasil e Chile, no Mineirão, nesta sexta, muitos tentam correr atrás de um bilhete para ver, ao vivo, o jogo que deixará uma das seleções entre as oito melhores do mundo.

Um deles é o advogado e professor universitário Davidson Malacco. Após ir ao jogo entre Bélgica e Argélia, na capital mineira, ao lado do filho Pedro Henrique Ferreira, 8, ele sensibilizou-se com o pedido do primogênito de querer ver o Brasil em terras mineiras. Seu limite de oferta é de R$ 1.200 por tíquete. No entanto, as ofertas que veem são muito superiores à sua pretensão inicial.

“A ansiedade dele é grande, mas não posso incentivar algumas práticas exageradas”, comenta Malacco, que conta com a compreensão de Pedro.

Pelas redes sociais, o advogado tenta encontrar possíveis vendedores de dois bilhetes. Além disso, ele acessa, constantemente, o site da Fifa, em diferentes horários, sem muito sucesso.

Ofertas não faltam para Malacco, mas ele não está disposto a pagar valores que considera absurdos. “Vi gente oferecendo ingressos entre R$ 2.700 e R$ 5.000. Se eu comprar, estarei comungando com esse tipo de atitude. São valores fora do padrão, mesmo para setores mais baratos, que foram comprados inicialmente por R$ 110. É um abuso”, protesta.

Conhecedor das leis brasileiras, Malacco lembra que tal tipo de atitude é recriminada pelo Estatuto do Torcedor. “O Artigo 41 diz que é crime vender ingresso por preço superior ao praticado pelo site. Não penso em fazer denúncia, mas é público e notório que muitos estão fazendo isso”, relata.

Outro que procura por ingressos é o jornalista João de Castro e cerca de dez amigos. Depois de ficar em dúvida se comprava ingressos antes do torneio, ele preferiu esperar a Copa começar para ir à procura. “Acabei me dando mal. Pago até o triplo do valor original, mas o que estou vendo, nas ofertas, são preços astronômicos”, comenta. Para ele, muitos dos que estão vendendo são pessoas que ganharam ingressos e aproveitam a procura para tentar lucrar.

Castro ainda indica que alguns dos que conseguiram comprar pela internet também usaram de má-fé. “Tive informação de que muita gente instalou programas que conseguem ‘furar a fila’. Acho que não vou conseguir ir a este jogo, infelizmente”, projeta.

Comerciante vendeu para evitar prejuízo Enquanto alguns procuram, desesperadamente, por ingressos, dispostos a gastar uma quantia considerável, outros acabaram lucrando com o jogo entre Brasil e Chile. O administrador Matheus Daniel possui um restaurante e, num lance de sorte, ganhou dois ingressos, em uma promoção, há cerca de duas semanas. Pouco envolvido com a Copa, evento que ele não apoiou desde o início, ele preferiu vender os dois bilhetes por R$ 5.000 e investir o valor como capital de giro no restaurante que possui. “Nem cheguei a anunciar na internet. Falei com amigos e conhecidos e não demorou para interessados aparecerem”, comemora. Depois de se arrepender de não comprar ingressos, de forma antecipada, para a final da última Libertadores, quando o Atlético, seu clube do coração, foi campeão dentro do Mineirão, ele garante que a mesma situação não se repetirá na Copa. “O torneio serviu mais para enriquecer o bolso de uns do que para beneficiar o país. Teremos mais dívidas do que legados. A Copa não foi boa para o Brasil, tínhamos condições de fazer muito mais. O número de estádios é somente um exemplo. Para que 12, e não oito? A Copa também influenciou para que o movimento do meu negócio caísse, e tive que buscar uma alternativa para evitar prejuízos”, afirma o comerciante.

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