Vale tudo para chegar a BH e apoiar a seleção chilena

iG Minas Gerais | Fernando Almeida |

Expectativa é que Belo Horizonte receba entre 30 mil e 40 mil chilenos. E eles são animados. À porta da Toca da Raposa II, onde La Roja treina, eles já fazem festa e apoiam sua seleção rumo ao título
JOAO GODINHO/ O TEMPO
Expectativa é que Belo Horizonte receba entre 30 mil e 40 mil chilenos. E eles são animados. À porta da Toca da Raposa II, onde La Roja treina, eles já fazem festa e apoiam sua seleção rumo ao título

Somente um jogador de futebol é capaz de dizer o quanto o grito da torcida faz diferença para os que estão dando, dentro de campo, cada gota de suor pelo seu país. Para o duelo entre Brasil e Chile, no Mineirão, são esperados entre 30 mil e 40 mil chilenos em Belo Horizonte, e o entusiasmo dos jogadores da La Roja é visível quando o tema torcida entra em cena.

E o Chile precisará desse apoio para conseguir um feito inédito na história do confronto diante da seleção canarinho. Dos 66 embates entre as equipes, La Roja nunca venceu em solo brasileiro e tentará esse feito para acabar com a festa brasileira. “Não será somente a torcida deles (no Mineirão); teremos a nossa, que está muito confiante. Haverá mais brasileiros, claro, mas a nossa torcida também estará em ótimo número e fará a diferença”, disse o ala-direita Mauricio Isla.

E, se depender das peripécias de torcedores chilenos, a seleção terá muito apoio, mesmo jogando contra os donos da casa. “Quando o Chile classificou-se, todos pensaram em várias maneiras de vir ao Brasil, e eu disse para mim mesmo: ‘Por que não ir de bicicleta?’”, conta, orgulhoso, Franci Tapia Galahín, um apaixonado por aventuras que aproveitou a Copa do Mundo em solo brasileiro para alimentar seu amor pelo ciclismo. O chileno, de 47 anos, já contabiliza nada menos que 3.950 km percorridos desde o início do périplo sul-americano.

“Saí da minha cidade no dia 10 de maio. Consegui alguns patrocinadores, mas não o bastante para tudo de que necessito. Então, tive de improvisar em alguns detalhes como alimentação e lugar para dormir”, conta.

Logo que apareceu na porta da Toca da Raposa II, onde a seleção chilena se hospeda, Galahín foi alvo de jornalistas de diversas partes do mundo que esperavam as portas do centro de treinamento do Cruzeiro se abrirem para mais um dia de coletiva de imprensa.

“Foram 3.870 km até São Paulo, onde eu consegui um ingresso para ver a partida contra a Holanda. Até agora são 3.950 km rodados em cima da bicicleta”, relata.

Um vídeo para contar história São Paulo. O que começou como um simples evento no Facebook tornou-se uma grande caravana com mais de 600 carros e 3.000 pessoas que cruzaram 4.000 km rumo ao Brasil. No dia 6 de junho, um grupo de chilenos saiu da capital Santiago e chegou à cidade de Cuiabá (MT) na abertura da Copa. Toda essa trajetória está sendo registrada pelo cineasta Misael Horta, 39. A produtora CapturArte – que faz videorreportagens para a internet –, onde Horta trabalha, decidiu registrar o Mundial no Brasil na visão dos torcedores chilenos. Horta veio junto com um grupo de oito torcedores, que faz parte da caravana. Quando o cineasta soube que seria o responsável pela gravação do documentário, em dezembro de 2013, já começou a conversar com os torcedores para saber qual era a expectativa deles para a Copa. E, agora, já pode contrastar a expectativa deles com a realidade. Entre a histórias registradas, estão os obstáculos que os torcedores chilenos encontraram no país, como a dificuldade de se comunicar em outra língua e os preços altos para alimentação e hospedagem. Além disso, o grupo foi assaltado no meio do caminho, em Mendoza, na Argentina. Já são 160 horas de gravações.

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