Petistas mudam discurso sobre vaias contra Dilma

Como Lula, outros do PT admitem insatisfação popular

iG Minas Gerais |

Insatisfação. O próprio Lula, que puxou o discurso de “elite branca”, voltou atrás anteontem e reconheceu que o PT tem culpa
Heinrich Aikawa / Instituto Lula
Insatisfação. O próprio Lula, que puxou o discurso de “elite branca”, voltou atrás anteontem e reconheceu que o PT tem culpa

São Paulo. Após o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva mudar o tom sobre as vaias e ofensas a presidente Dilma Rousseff na abertura da Copa, petistas também flexibilizaram nessa quinta o diagnóstico do partido que responsabilizou a “elite branca” pela ação.

A nova versão, admitindo que a insatisfação da população com o governo da presidente Dilma ultrapassa a elite, foi forçada pela declaração do ministro Gilberto Carvalho, da Secretaria-Geral da Presidência, de que o PT errou sobre o descontentamento dos brasileiros.

A fala do ministro levou Lula, que vinha atacando a “elite branca”, a reconhecer nessa quarta em entrevista ao SBT, que “possivelmente a gente tenha culpa de não ter cuidado disso (insatisfação) com carinho”.

A avaliação de Gilberto Carvalho, responsável pela interlocução com os movimentos sociais, gerou mal-estar no Planalto e provocou críticas internas do PT por ter potencial para gerar desgaste a Dilma em ano eleitoral.

O líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE), disse que tem uma visão um pouco diferente de Carvalho, mas defendeu que o PT precisa dar mais respostas à sociedade. “Tem uma insatisfação clara (com o governo)”, disse o petista após reunião da Executiva nacional, em São Paulo. “Que há um mau humor, há um mau humor, mas dizer que isso é uma insatisfação pela mesmas razões, não. Você tem uma insatisfação da elite e isso contamina de alguma forma a sociedade. Imagina o que são vários anos de ataque da imprensa, da oposição...”, disse.

O senador citou a falta de enfrentamento envolvendo a Copa. “Ficamos apanhando dois anos pela Copa para chegar à conclusão agora de que é um grande negócio mesmo”.

Secretário de comunicação do PT, o presidente da Câmara Municipal de São Paulo, José Américo Dias, também reconheceu que os problemas do governo vão além da elite. “É óbvio que tem descontentamento e isso é normal. Uma sociedade complexa e pulsante como a brasileira é normal que tenha descontentamento além da elite branca, mas quem puxou a vaia é óbvio é que foi no camarote VIP”, disse.

Desgaste. O presidente do PT, Rui Falcão, não quis comentar as declarações de Lula e Carvalho nem se o partido errou na avaliação sobre as vaias. Ele negou que a posição do ministro tenha provocado desgaste interno. “Não senti nenhum mal-estar. É opinião de companheiro valoroso, que sempre dá suas opiniões”, afirmou.

Eunício Oliveira poderá abrir palanque para Aécio no Ceará Líder nas pesquisas pelo governo do Ceará, o senador Eunício Oliveira (PMDB) está prestes a abrir seu palanque para o candidato do PSDB à Presidência, Aécio Neves. Os dois se reuniram nessa quinta em Brasília para acertar o arranjo regional e, reservadamente, caciques peemedebistas já dão o acordo como certo. O ex-presidente Lula, no entanto, desencadeou uma ofensiva de última hora para tentar não perder o aliado. O Ceará, com 6,2 milhões de eleitores e oitavo colégio eleitoral do país, será importante na disputa de outubro. No segundo turno em 2010, a presidente Dilma alcançou no Estado a segunda maior vantagem entre todos os Estados sobre o então candidato do PSDB, José Serra. Foram 2,3 milhões de votos a mais do que o tucano. À época, a diferença só não foi maior do que na Bahia, Estado em que neste ano Aécio também conseguiu atrair o apoio do PMDB local. Com a montagem de palanques competitivos no Nordeste, o senador mineiro tenta reduzir a vantagem histórica que o PT leva na região.

Lula tenta barrar apoio de sindicatos Encontro. A pedido do ex-presidente Lula, a reunião que ele teria nessa quinta com 12 grandes nomes da Força Sindical foi adiada para a próxima segunda-feira. O foco da reunião é a reeleição da presidente Dilma. A ideia é organizar uma agenda de encontros entre diversas lideranças sindicais e a presidente, com início logo depois da Copa do Mundo. Depois de Aécio. O encontro com Lula vai ocorrer uma semana depois de Aécio Neves (PSDB) ter assistido ao jogo do Brasil na sede do principal integrante da Força: o Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo. A Força, com seus 1.600 sindicatos, mais de um milhão de sócios e orçamento anual de R$ 50 milhões, tem sido a central mais próxima ao tucano. Apoio. “Será uma oportunidade para externar o apoio de lideranças sindicais à presidente Dilma e discutir pontos que queremos melhorar no segundo mandato”, disse o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Osasco, Jorge Nazareno. Entre os pontos, Nazareno citou o diálogo entre governo e trabalhadores.

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