Nação Zumbi abre novas cicatrizes na capital

Banda recifense faz show de estreia do mais recente álbum em Belo Horizonte e mantém viva a veia do manguebeat

iG Minas Gerais | LUCAS SIMÕES |

“ Nação Zumbi” chega aos fãs após hiato de sete anos sem disco de inéditas
Vitor Salerno
“ Nação Zumbi” chega aos fãs após hiato de sete anos sem disco de inéditas

Na primeira impressão, corações, veias, um globo ocular pela metade e partes do esqueleto humano pulsam na capa do mais recente álbum da Nação Zumbi. Em um segundo momento, o vocalista Jorge Du Peixe canta a “visível marca de um riscado inesperado para lembrar o que lhe aconteceu” na faixa de abertura, “Cicatriz”. Com signos que remetem a marcas atemporais, a banda recifense apresenta em Belo Horizonte, amanhã à noite, o show de estreia do álbum homônimo, lançado pela dobradinha Slap/Natura Musical no mês passado, após um hiato de sete anos sem um disco de inéditas.

Coincidência ou não, a Nação Zumbi resolveu romper o silêncio musical exatamente 20 anos após o lançamento de “Da Lama Ao Caos” (1994), que projetou o Recife, os tambores do maracatu e a cabeça atômica de Chico Science para o mundo inteiro. Longe de parecer uma sessão nostálgica, “Nação Zumbi” não conserva os caranguejos com cérebro da década de 90, mas fala de marcas percebidas pelo manguebeat naquele tempo e que soam latentes ainda hoje. “Isso (o manguebeat) sempre vai nos influenciar. E a saudade do Chico (Science) também. Mas esse disco é como se fosse uma série de alertas para o mundo que vivemos hoje, não o do passado”, diz Du Peixe.

Com 11 faixas, o álbum produzido por Kassin e Berna Ceppas mostra letras cuidadosamente revisadas por Du Peixe durante dois anos em que a banda se dedicou a projetos paralelos. Assim, canções como “Um Sonho” (“estão comendo o mundo pelas beiradas / roendo tudo / quase não sobra nada”) e “Cuidado” (veias, coração e desejos negados / às vezes encontram a contra-mão), expõe a marca crítica da Nação Zumbi, ao mesmo tempo em que a recente parceria com Marisa Monte, em “A Praia”, mostra um lirismo maduro dos recifenses. “Voltamos porque era a hora e vamos revistar clássicos da carreira também”, avisa Du Peixe. Serviço. Nação Zumbi apresenta show do disco homônimo, amanhã, às 22h, no Chevrolet Hall (avenida Nossa Senhora do Carmo, 230, Savassi). Os ingressos variam de R$ 30 a R$90.

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