A insustentável complexidade de viver

Vencedor do Oscar de filme estrangeiro e do Urso de Ouro em Berlim, longa será exi bido hoje no Museu Abílio Barreto

iG Minas Gerais | daniel oliveira |

Elenco do longa dá vida à fragilidade e à imperfeição das certezas humanas
IMOVISION
Elenco do longa dá vida à fragilidade e à imperfeição das certezas humanas

Em tempos de críticas de 140 caracteres e opiniões publicadas no Twitter meros segundos após o fim de uma sessão, a expressão “obra-prima” é usada de forma cada vez mais leviana. Especialmente para filmes recentes. Obra-prima é algo que resiste ao teste do tempo, que oferece um novo ponto de vista a cada revisão, em que se descobre algo que dá mais camadas de significação toda vez que é assistida.

Essas características se encaixam como uma luva em “A Separação”, filme dirigido por Asghar Farhadi que o Museu Histórico Abílio Barreto exibe hoje, às 19h, em sua mostra de cinema iraniano. E por mais que seja arriscado usar a abusada expressão em se tratando de uma produção de 2011, é difícil negar que o longa não é só o melhor filme do seu ano de lançamento, mas um dos melhores dos últimos dez anos.

O divórcio do título é entre o casal Nader (Peyman Moaadi) e Simin (Leila Hatami). Mas ele é apenas o ponto de partida para uma história que envolve um pequeno roubo, uma agressão, pequenas mentiras e meias-verdades ditas em cenas em que ninguém está totalmente certo ou errado.

A cada vez que se assiste, o espectador pode se identificar com um personagem diferente. E isso acontece porque “A Separação” é um roteiro perfeito interpretado com uma naturalidade devastadora sob uma direção maestral. O filme não é sobre a sociedade iraniana, um divórcio ou mesmo sobre família. Ele é um estudo da complexidade humana.

Cada personagem sabe um pedaço de informação que o outro desconhece, e isso faz com que todos tenham razão até onde seu ponto de vista alcança. Isso causa um desconforto angustiante no espectador porque ele reconhece ali a imperfeição das certezas que nos permitem levantar da cama todos os dias. Como a impecável cena final deixa claro, não existem escolhas certas ou erradas – apenas aquelas feitas num momento difícil e com cujas consequências se tem que lidar. O que é justo nem sempre é certo, a vida é cruel e ninguém escapa disso.

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave