“A inflação bate 7% no primeiro trimestre de 2015”

Arthur Carvalho Codiretor de economia para América Latina do banco Morgan Stanley

iG Minas Gerais |

O sr. reduziu recentemente a sua projeção para o crescimento do PIB em 2014 de 1,5% para 1% e em 2015 de 1,1% para 0,9%. Há o risco de o crescimento ser ainda menor?  

Para 2014, estou bastante confortável com minha projeção, pois já adicionei não somente um começo de ano mais fraco, como também uma previsão menor do crescimento para o resto do ano, assumindo que a queda de confiança observada recentemente vai se materializar em investimentos mais fracos do que se esperava. Há riscos de os investimentos serem ainda mais fracos dada a velocidade da queda da confiança.

Como o sr. vê o mercado de trabalho? O mercado de trabalho está mostrando pela primeira vez sinais claros de desaceleração, que combinam com os dados de confiança que estamos observando. As industriais, onde a confiança está caindo mais, estão, de fato, demitindo. Agora, parece realmente que o mercado de trabalho está perdendo fôlego. Pós-Copa do Mundo, há um risco maior de haver uma ressaca, com demissões de funcionários temporários ligados a operações logísticas e de turismo. Poderemos ver, sim, um início da alta da taxa do desemprego.

Esse quadro de inflação, baixo crescimento e emprego forçará o BC a elevar os juros ou cortar as taxas?

O problema está nos preços livres. Eles estão em patamar elevado e relacionados a um mercado de trabalho que não dá sinais de que a taxa de desemprego vá subir tanto e de que os salários vão desacelerar o suficiente para alimentar uma inflação mais baixa do que hoje. Acho difícil o BC passar por um processo de reajuste dos preços administrados sem passar por um ajuste na Selic. Na nossa projeção, a inflação bate 7% no primeiro trimestre do ano que vem.

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