Legado da Copa será a carestia

Bares e restaurantes de BH aumentam preços para o Mundial em até 20% e irão mantê-los

iG Minas Gerais | Thaís Pimentel |

No bolso. Restaurantes aproveitam o maior número de turistas durante a Copa para elevar os preços
FERNANDA CARVALHO / O TEMPO
No bolso. Restaurantes aproveitam o maior número de turistas durante a Copa para elevar os preços

Os belo-horizontinos já estão sentindo os efeitos da Copa do Mundo no bolso, principalmente quando o assunto é comer fora de casa ou tomar uma bebida e comer um tira-gosto em um bar. Bares e restaurantes aumentaram seus preços por causa da invasão de turistas durante o Mundial. “Aqui é padrão Fifa”, disse o dono do Maria de Fé Botequim, na região da Pampulha, Ely Leal. “Todo mundo por aqui subiu os preços. Se falar o contrário, é mentira. Eu mesmo reajustei o cardápio em 20%. Mas acho que os valores vão cair um pouquinho assim que a Copa terminar”, admitiu.

Na Savassi e na região da Pampulha, vários bares e restaurantes procurados pela reportagem admitiram reajustes de preços para o período do Copa. Além da comida, as bebidas também tiveram alta. Pedindo anonimato, alguns estabelecimentos disseram que os valores não devem voltar para os patamares de antes do evento.

Em bares da capital é possível achar garrafa de vodca nacional a R$ 149, cerveja a R$ 10 e porção de contrafilé a R$ 104.

De acordo com pesquisa de inflação do Instituto de Pesquisas Econômicas e Administrativas da UFMG (Ipead) entre os dias 16 de maio e 15 de junho, comer em restaurantes ficou 1,73% na capital em relação ao mesmo período passado. Nos últimos 12 meses, a alta foi de 11,71%.

Para a coordenadora de pesquisa e desenvolvimento do instituto, Thaize Vieira Martins Moreira, os comerciantes estão aproveitando o momento para compensar as perdas que o comércio vem tendo nos últimos meses. “Não achamos que o aumento tenha a ver só com o Mundial. Houve reajuste nas contas de energia, de água e no transporte que podem ter influenciado na alta dos preços. Os comerciantes não costumam passar esses gastos de uma vez para o consumidor”, explicou.

Preços. Na Savassi, na região Centro-Sul de Belo Horizonte, que tornou-se reduto dos turistas estrangeiros, há quem negue que os reajustes foram por causa da Copa. “Nós aumentamos nossos preços em março. O quilo do self-service passou de R$ 39 para R$ 43. Mas o valor da cerveja cresceu um pouco agora. Não sei te dizer quanto, mas o litro da Serra Malte está em R$ 9”, disse uma funcionária do Assacabrasa.

Um dos gerentes do Redentor, restaurante também na Savassi, disse que a comida a quilo teve um aumento de R$ 46,99 para R$ 48,99 em janeiro, mas admitiu que a cerveja aumentou durante a competição. “Passou de R$ 6,20 para R$ 6,40. Nós não devemos baixar esse valor depois do Mundial”, confessou.

Para o mestre em economia do Ibmec, Marcus Renato Xavier, os preços elevados são resultado da alta demanda. Mas para ele, isso não será suficiente para resgatar o otimismo dos comerciantes. “Não acredito que a Copa seja capaz de mudar os ventos do atual cenário estagnado, alavancando por tabela o setor industrial. A inflação ainda assusta, e há falta de confiança”, ressaltou.

Compare Alimentação em restaurantes de Belo Horizonte aumentou 11,71% nos últimos 12 meses Entre os dias 16 de maio e 15 de junho, os preços aumentaram 1,73% em relação ao período anterior a este Bebidas em bares ficaram 11,99% mais caras nos últimos 12 meses O preço de se comer em casa aumentou 2,83% em relação ao ano passado e ficou 1,29% mais barato em relação à última quadrissemana

No centro de BH, restaurantes apelam para promoções Enquanto os bares e restaurantes da Savassi e da Pampulha lucram com a Copa do Mundo, os estabelecimentos do centro de Belo Horizonte apelam para promoções e descontos, com o objetivo de atrair a clientela. “O movimento tem sido péssimo nesse mês. Caiu pela metade. Nossos fregueses são pessoas que trabalham na região, e em dia de jogo do Brasil, aqui tem ficado às moscas”, lamenta a gerente do restaurante Milho Verde, Suelen Bicalho. O preço no self- service não sai por mais de R$ 33,50. A situação é a mesma enfrentada pelo Alegretto Grill, na avenida Augusto de Lima, cujo preço da comida a quilo é R$ 29,90. “A frequência diminuiu bastante. Nem vale a pena abrir durante as partidas da seleção. Nesses dias a gente tem fechado as portas”, reclama uma funcionária do local.

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave