Fruto do #BHNASRUAS

Livro que será lançado hoje sintetiza experiências jornalísticas de estudantes durante manifestações de 2013

iG Minas Gerais | Vinícius Lacerda |

 Mobilização. Uma das manifestações ocorridas em junho do ano passado em BH
clara novais / divulgação
Mobilização. Uma das manifestações ocorridas em junho do ano passado em BH

Não seria improbidade afirmar que as manifestações ocorridas no ano passado agitaram não só as ruas do país, mas também o cenário artístico brasileiro – há documentários e exposições sobre o tema entrando no mercado com regularidade. Nesse arcabouço, encaixa-se o livro “#BHNASRUAS: Uma Experiência de Cobertura Colaborativa”, que será lançado hoje, na livraria Quixote. Diferentemente das obras de testemunhos sobre as manifestações, essa reúne experiências de estudantes de comunicação na cobertura dos protestos do ano passado para a página BH nas Ruas no Facebook .

O livro sintetiza descobertas baseadas na história do grupo. “Precisamente na madrugada do dia 17 de junho de 2013, criamos a página no Facebook e uma conta no Twitter, com o objetivo de reunir informações sobre as manifestações. Notamos que havia informações desconexas sobre os encontros”, afirma uma das escritoras do livro e estudante de jornalismo na UFMG, Camila Braga.

Além de Camila, outros alunos, incluindo graduandos em relações públicas e publicidade e propaganda, começaram a nutrir a página não somente de informações sobre protestos, mas também com efetiva cobertura das manifestações. “Aos poucos as coisas foram crescendo, as pessoas foram ajudando, mandando fotos e informações, e acabamos nos tornando até fonte da grande mídia”, comenta a estudante.

Embora resuma a história com facilidade, Camila afirma que no processo, todo o grupo passou por muitos apertos, que foram superados com a ajuda de professores. “Logo na primeira semana, mandei e-mails para quatro professores de jornalismo da área de novas mídias, explicando o que estávamos fazendo e pedindo socorro”, diz a estudante.

Dessa forma, os docentes do Departamento de Comunicação da UFMG Joana Ziller e Carlos d’Andréa entram “em campo” e começaram a orientá-los com relação à apuração e à linguagem em uso. “No início, por exemplo, eles utilizaram a palavra vândalo ao se referir às pessoas que estavam nos protestos. Depois de discussões, concluiu-se que a palavra correta seria manifestantes. Assim, íamos dando dicas para eles, mas sem estabelecer uma relação professores-aluno. Era algo em construção conjunta. Afinal, vivenciávamos uma situação nova tanto para a população quanto para a mídia”, afirma D’Andréa.

Trinta e duas Mãos. Do ineditismo, nasceu a necessidade de configurar um modelo de trabalho para fazer uma cobertura jornalística neutra. No decorrer do processo, a equipe de estudantes desenvolveu métodos – como normas para responder a comentários e divisão para cobertura – que foram incentivados pelos professores a serem registrados para a posteridade.

Depois de uma reunião ainda em 2013, o grupo decidiu que o livro seguiria a mesma premissa da página: seria feito de forma totalmente colaborativa e horizontal. Assim, os 16 graduandos que mais participaram das atividades do trabalho produziram textos para sete capítulos da obra. “Pensamos em designar um capítulo para cada um escrever, mas todos passamos por todas as áreas de atuação e achamos melhor que todos falássemos de tudo. Particularmente, não achava que seria capaz de produzir um texto tão grande com tanta gente, agora não consigo imaginar escrever um livro de outra forma”, confessa Camila.

Mesmo sendo um entusiasta da criação colaborativa, o professor D’Andrea enxerga pontos positivos e negativos no procedimento. “Há o lado desgastante, pois pode gerar polêmica entre os escritores, mas, por outro lado, o texto ganha corpo mais rápido e fica mais rico. Nesse processo, há um momento em que é preciso parar tudo para verificar se tudo está fazendo sentido”, analisa o professor, que, ao lado de Joana Ziller, assina a organização do livro.

No entanto, o maior mérito da obra, para o professor, é mostrar a possibilidade de uma cobertura jornalística desatrelada das mídias tradicionais, colaborando, assim, para descentralização do acesso à informação. “O BH Nas Ruas nasceu na lógica de colaboração e diferencia-se da mídia tradicional, pois ele não transporta o conteúdo para mídia social, mas a usa como meio para divulgar a informação e também para interagir. Esse posicionamento mostra um comportamento que o jornalismo tradicional não consegue dar conta, porque seu DNA é outro”, comenta.

Agenda

O quê. Lançamento do livro “#BHNASRUAS: Uma experiência de cobertura colaborativa”

Quando. Hoje, às 18h

Onde. Livraria Quixote (rua Fernandes Tourinho, 247, Savassi)

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