Será assim mesmo?

iG Minas Gerais |

Será que há alguma dúvida de que há insatisfação popular com o governo da presidente Dilma Rousseff? Será mesmo que somente agora o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o PT estão percebendo que as vaias recebidas pela presidente no jogo de abertura da Copa são motivadas? Ao que parece a ficha dos petistas está caindo com um certo retardo. As pesquisas, de institutos vários, já estavam mostrando a queda da popularidade de Dilma desde o fim do ano passado. Essa tendência de queda foi antecedida pelas manifestações populares de junho. Neste primeiro semestre, as pesquisas também mostraram que, mais do que perder popularidade e intenções de voto, Dilma Rousseff também começou a ver seus concorrentes ganharem intenções de voto, especialmente, o senador Aécio Neves. Entretanto, a presidente Dilma, na condição de pré-candidata à reeleição, não se mexeu. Nenhum movimento foi feito nos sentido de inverter a posição, que já não era assim tão confortável. Nos bastidores do PT, os mais ácidos avaliam que até bem pouco tempo, Dilma e sua turma mais próxima pareciam acreditar em uma vitória por WO. Os reclames daqueles petistas que tinham avaliação menos otimistas, praticamente, não foram ouvidos. A falta de diálogo interno gerou o chamado “Volta, Lula”. A campanha, promovida pelos insatisfeitos com o desempenho de Dilma, foi abafada pelo próprio ex-presidente, que se apressou em dizer que não era candidato nesta eleição e pedir apoio à reeleição de sua sucessora. Mas se, externamente, Lula se portou solidário com Dilma o tempo inteiro, esse não foi o posicionamento dele longe dos gravadores e holofotes. O petista teria ficado irritado com o “jogo duro” de sua pupila. Ele teria solicitado mais jogo de cintura, mais conversa com os aliados, mais paciência com a economia – o que, na prática, seria a manutenção do nível de crédito ao consumidor, e mais atenção com o próprio PT. Como nada disso aconteceu até o momento, Lula recorreu a quem sempre recorre quando precisa mandar recados atravessados: Gilberto Carvalho. Carvalho veio a público dizer que não era só a elite branca que vaiou Dilma. Ele preparou o terreno para Lula dizer, em seguida, que o PT pode ter alguma culpa no episódio das vaias. Como esses dois se entendem muito bem, fica impossível pensar que a ficha deles só caiu agora. Certamente não. Eles estão apenas preparando, juntos, as condições objetivas para uma outra jogada, caso seja necessária. Trata-se da troca de candidato. Em outras palavras: o “Volta, Lula” pode ser resgatado. Se essa hipótese se concretizar, uma outra não poderá ser descartada. Se Lula virar candidato a presidente, Eduardo Campos pode aceitar a condição de vice.

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