A realidade do Brasil: inflação em alta e crescimento baixo

Previsão de expansão do PIB cai para 1,6% e índice de preços deve subir 6,4% em 2014

iG Minas Gerais |


Energia pode subir se seca continuar prejudicando hidrelétricas
Energia pode subir se seca continuar prejudicando hidrelétricas

Em linha com a ata do Comitê de Política Monetária (Copom), que sinalizou preocupação com o baixo crescimento da economia brasileira em 2014, o Banco Central (BC) previu, no Relatório Trimestral de Inflação (RTI) divulgado nesta quinta-feira (dia 26), desaceleração das previsões de crescimento de todos os setores da economia em 2014. Pelos novas projeções do BC, o PIB vai crescer 1,6% neste ano. As previsões anteriores, de março, apontavam crescimento de 2%.  

Segundo o relatório, o PIB da agricultura vai despencar de 7% em 2013 para 2,8% este ano. Já o PIB da indústria cairá de uma alta de 1,3% para uma queda de 0,4% . O setor de serviços terá um crescimento de 2%, se mantendo estável em relação a 2013, mas com recuo ante a projeção anterior, que era de alta de 2,2%.

A presidente Dilma Rousseff vai entregar ao final de 2014 uma inflação ainda pior que a registrada no ano passado. É o que também prevê o Banco Central. A projeção de IPCA de 2014 passou de 6,1% em março, para 6,4% nesta nova projeção. A nova estimativa coloca a inflação deste ano muito próxima do estouro da meta de inflação, que tolera uma taxa de até 6,5%. No ano passado, o IPCA fechou em 5,91%. No primeiro ano do governo Dilma Rousseff, a taxa foi de 6,50, no segundo, de 5,84%. Ao longo de 2013, o presidente do BC, Alexandre Tombini, e o ministro da Fazenda, Guido Mantega, prometeram, em várias ocasiões, uma inflação menor em 2013 do que em 2012. No entanto, a expectativa das duas autoridades não se confirmou. A queda da inflação neste ano também foi uma promessa da presidente Dilma.

A estimativa do IPCA para o final deste ano está muito distante do centro da meta de inflação estabelecida pelo próprio governo, de 4,5%. Para o IPCA acumulado em 12 meses no primeiro ano do próximo governo, em 2015, o BC também elevou sua projeção, de 5,5% para 5,7%. Para o primeiro trimestre de 2016, o BC manteve uma estimativa de inflação de 5,4%. Para o segundo trimestre de 2016, a previsão é de 5,1%.

E a inflação deve afetar no consumo das famílias, segundo o BC. O ritmo de expansão será mais moderado do que o observado em anos recentes. No relatório, a expectativa é de avanço de 2%, abaixo do que ocorreu nos anos anteriores no país.

HSBC tem previsões ainda mais negativas para o ano Brasília. O banco HSBC rebaixou mais uma vez a previsão de crescimento da economia do Brasil e da economia global para o ano de 2014, destacando que o ritmo lento do avanço econômico, antes apenas uma realidade para os países desenvolvidos, começa a contaminar também os países emergentes. Para a economia do Brasil, o HSBC passou a prever um crescimento de 1,1% no Produto Interno Bruto (PIB) em 2014, ante a previsão anterior de 1,7%. Para a economia global, a previsão foi revisada de 2,6% para 2,4%. A previsão é de que as economias desenvolvidas cresçam 1,6% neste ano.

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