Extinção de espécies pode ser bem maior do que se imagina

Média oficial é de 18 mil novos seres vivos ao ano; extinções somariam 20 mil

iG Minas Gerais | Nicholas Bakalar |

Australiano. Biólogos detectaram um novo lagarto com rabo de folha, o Saltuarius eximius
CONRAD HOSKIN
Australiano. Biólogos detectaram um novo lagarto com rabo de folha, o Saltuarius eximius

Nova York, EUA. Em meio às manchetes desencorajadoras sobre a extinção de espécies selvagens em todo o planeta, existe um ponto positivo: tantas novas espécies de animais e plantas são descobertas todos os anos que ninguém sabe o número ao certo.

No mês passado, o Instituto Internacional de Exploração das Espécies, por meio de um grupo de cientistas, divulgou a lista anual com as dez principais espécies descobertas no ano anterior, estimando que cerca de 18 mil novas espécies sejam descobertas todos os anos, sendo que cerca de metade é de insetos e aracnídeos.

O número foi questionado. Camilo Mora, professor assistente de geografia na Universidade do Havaí e pesquisador do assunto, afirmou que 18 mil talvez seja um número grande demais.

“Todas essas espécies não são necessariamente novas”, afirmou o especialista. “Elas podem ser correções de nomes de espécies que têm dois nomes diferentes, erros de ortografia, e por aí vai. Depois que tiramos esses desvios, sobram ainda cerca de 8.000 novas descobertas que são validadas pela comunidade científica”, explica Mora.

Perda. Entretanto, essas espécies também estão desaparecendo rapidamente. “A perda de hábitat é um fenômeno de larga escala”, afirmou Mora. “O desmatamento, a mudança climática, a superexploração dos solos, as espécies invasoras – levando tudo isso em conta, uma estimativa de 20 mil extinções ao ano pode ser conservadora”, comentou o especialista.

Comparação. Com milhares de espécies sendo identificadas a cada ano, e outras milhares entrando em extinção, pode até parecer que os cientistas ficarão sem novas espécies para descobrir, mas não é bem assim.

Em um estudo publicado em 2011, Mora calculou que existam entre 7,4 e 10 milhões de plantas e animais sem nome, sem contar os vírus e bactérias. Em outras palavras, cerca de 86% das espécies terrestres e 91% das marinhas ainda estão por aí, esperando para ganhar um nome. No ritmo atual, precisaríamos de mais mil anos para catalogar todas elas.

Ao lançar o top 10 das espécies recém-descobertas, o diretor do Instituto de Exploração, Quentin D. Wheeler, reconheceu que aquele não era um projeto científico, mas acrescentou que seu propósito era sério.

“Queremos que as pessoas tenham consciência da crise da biodiversidade”, afirmou Wheeler, entomologista de formação e presidente da Faculdade de Ciências e Engenharia Florestal da Universidade Estadual de Nova York, nos Estados Unidos.

“Se nós não sabemos onde a espécie está, não podemos detectar espécies invasoras, nem possuir medidas precisas da extinção. Se não sabemos o que existe, pra começo de conversa, não podemos tomar as decisões corretas”, considerou ele.

Botânico. O instituto publicou a lista no dia 23 de maio, dia do aniversário de Carl Linnaeus, o botânico que criou no século XVIII o sistema de nomenclatura que ainda utilizamos.

Uma delas é uma espécie de mamífero até então desconhecida que vive nas florestas altas dos Andes, no Equador e na Colômbia: o olinguito, uma espécie onívora e extremamente fotogênica que faz parte da família dos guaxinins.

O adulto peludo e marrom pesa cerca de 2 kg, e suas orelhas pequenas e seu rosto achatado o fazem parecer um cruzamento de castor e um gatinho persa.

Uma planta também entrou na lista: a Dracaena kaweesakii, uma nova espécie de dracena que cresce na Tailândia. Ela é tão grande – 12 m de altura – que é difícil entender como ninguém tinha notado ela antes.

Pesquisas avançam em todo o mundo Nova York. Um grupo de cientistas trabalhando na Antártida descobriu uma anêmona chamada Edwardsiella andrillae, a única anêmona conhecida que vive no gelo. E dois biólogos australianos detectaram um novo lagarto com rabo de folha, o Saltuarius eximius, nas florestas tropicais do leste da Austrália. A lista de novos seres descobertos inclui um fungo cor de laranja encontrado no solo da Tunísia, uma ameba gigante que vive no Mediterrâneo e um camarão transparente que nada nos arredores da Ilha Catalina, na costa da Califórnia.

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