Médicos param outra vez por falta de diálogo com governo

Essa é a segunda vez em menos de um mês que a categoria cruza os braços; profissionais reivindicam melhoria nas condições de trabalho e reajuste de 37%

iG Minas Gerais | Lisley Alvarenga |

Consultas agendadas para terça (24) e quinta-feira (26) foram suspensas
Nelson Batista
Consultas agendadas para terça (24) e quinta-feira (26) foram suspensas

Revoltados com a falta de diálogo com o governo, que ainda não avançou na negociação com a categoria, iniciada em março deste ano, os médicos de Betim fizeram uma paralisação de 72 horas nesta semana, entre terça (24) e quinta-feira (26). Por causa do movimento, as consultas agendadas nas unidades foram suspensas, e apenas os atendimentos de urgência e emergência foram mantidos. Essa foi a segunda vez, em menos de um mês, que a categoria resolveu cruzar os braços.

Segundo o diretor do Sindicato dos Médicos de Minas Gerais (Sinmed-MG), César Santos, o movimento aconteceu porque a prefeitura não respondeu às reivindicações da categoria. “Fizemos uma reunião no último dia 4, e o governo prometeu criar uma comissão para avaliar um reajuste nas gratificações dos médicos, dentre outros pontos da pauta de reivindicações. Esperamos até o dia 19 de junho e, como não obtivemos resposta de nada, decidimos, em assembleia geral, paralisar o atendimento por 72 horas. O objetivo é chamar a atenção da prefeitura”, afirmou.

Apesar da tentativa do sindicato de pressionar o governo a voltar a negociar, o secretário de Saúde, Mauro Reis, disse, em audiência pública realizada na quinta (26), na Câmara dos Vereadores, que, “diante da greve dos médicos, vai paralisar as negociações com a categoria”.

Entre as principais reivindicações dos médicos estão o reajuste de 37% no salário-base; a melhoria nas condições de trabalho, como garantia de equipes completas e a disponibilidade constante de medicamentos, materiais e equipamentos médicos; e a realização imediata do concurso público.

“A desproporção salarial entre Betim e as demais cidades da região metropolitana é gritante. Betim paga hoje um dos piores salários-base da região metropolitana. Para se ter uma ideia, eles recebem apenas 61% do salário pago ao profissional da Fundação Hospitalar de Minas Gerais (Fhemig) e 76% do valor recebido pelos servidores da Prefeitura de Belo Horizonte. Essa situação dificulta a formação de equipes em Betim, já que os médicos preferem migrar para unidades em outros municípios”, explicou Santos.

Ainda conforme o Sinmed, hoje, o vencimento básico pago ao médico que trabalha 24 horas semanais em Betim é de R$ 3.423,66. Em Belo Horizonte, esse valor chega a R$ 4.488,75, e, em Contagem, a R$ 3.897,16. Já médico da Fhemig têm vencimentos de R$ 5.611,50 pela mesma quantidade de horas trabalhadas. “O reajuste de 7% escalonado concedido pela prefeitura aos servidores públicos neste ano não atendeu à categoria. Se fizermos os cálculos, ele dá um ganho real de pouco mais de 5%, ou seja, não dá para repor nem a inflação”.

Outro grave problema enfrentado pelos médicos e demais profissionais da Saúde de Betim, de acordo com o Sindmed, é a falta de segurança nas unidades. “Constantemente, recebemos relatos de agressões verbais sofridas por esses profissionais. Eles são ameaçados e intimidados pelos usuários. Mesmo encerrando suas cargas horárias, muitos são impedidos de ir embora para suas casas, para continuar atendendo”.

Em assembleia realizada na quinta (26), a categoria decidiu suspender a paralisação e aguardar um retorno da prefeitura. Até meados de julho, será promovida uma nova assembleia.

Resposta Por e-mail, a assessoria de imprensa da prefeitura informou que propôs ao Sinmed a criação de uma comissão, com membros do sindicato e do Executivo, para a elaboração de um estudo sobre o impacto financeiro da concessão de aumento ou de gratificação para a categoria. “Após concluído, o estudo seria apresentado à Junta de Execução Orçamentária e Financeira (Jeof) do município. Entretanto, o Sinmed optou pela paralisação de 72 horas”, declarou.

A prefeitura ressaltou ainda que “o Plano de Carreira de Betim oferta aos médicos ganhos salariais de 5% a cada dois anos e mais 10% a cada cinco anos”.

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