Sinalização leva visitantes a uma ‘rodoviária-fantasma’

Inaugurado há dois anos, terminal está abandonado; espaço, que recebeu R$ 20 milhões de investimento, foi inaugurado há dois anos

iG Minas Gerais | Dayse Resende |

Prejuízo. 
Forros do teto estão desmoronando
FOTO: MOISES SILVA / OTEMPO
Prejuízo. Forros do teto estão desmoronando

 

Perdidos. É assim que visitantes que estão à procura da Rodoviária de Betim e que se orientam por meio de placas de sinalização instaladas em diversos pontos do município se sentem. É que, ao chegarem ao terminal inaugurado no dia 30 de junho de 2012, o que eles encontram é um imóvel abandonado, com baias sem ônibus, guaritas vazias e um jardim sendo ocupado por mato.   A situação só não é pior porque há cerca de seis meses a Cia. 121ª do Tático Móvel da Polícia Militar, que antes era anexa ao 33° Batalhão, passou a funcionar em uma ala do imóvel. Em função disso, por lá, o único movimento de carros que se vê é o da corporação, além de alguns ônibus das linhas municipais que, desde o ano passado, contam com um ponto de embarque e desembarque nas plataformas A e B.   Fora isso, é possível perceber que os R$ 20 milhões investidos na construção do terminal parecem ter sido desperdiçados. No local, há paredes trincadas, pontos de infiltração, forro do teto desabando, lavatórios dos banheiros sem torneiras, vidros quebrados e piso tátil – que serve de guia para deficientes visuais – se desprendendo do chão.    “É uma pena ver a rodoviária, que seria muito útil para nós, moradores de Betim, tão abandonada. Ela sempre foi um grande sonho para a população”, disse Rozendo José Lemos, morador do bairro Cruzeiro, ao lembrar que a obra foi aprovada no Orçamento Participativo de 2010.   Sem previsão E o terminal, que foi inaugurado há dois anos com previsão de abrir as portas aos passageiros dois meses após um grande evento realizado pela ex-prefeita Maria do Carmo Lara (MDC), continua sem data para funcionar.   “Nos últimos 24 meses, não houve nenhum avanço. Nada de licitação ou concessão, ou seja, não existe empresa para gerenciar o local, não há definição sobre as linhas que o terminal vai poder oferecer nem quais transportadoras vão atuar lá”, disse um funcionário da prefeitura, que pediu para não ser identificado.   Já o Executivo informou, através de sua assessoria de imprensa, que o início de funcionamento da rodoviária está diretamente condicionado a uma série de intervenções, execuções e aprovações que não competem ao município, pois “inexiste o Termo de Entrega do Terminal Rodoviário (documento formal) ao município”.   “O projeto arquitetônico da rodoviária, que foi construída pelo Metropolitan Shopping Betim, não foi aprovado pelo Departamento de Estradas e Rodagem (DER) – gestor de terminais rodoviários do Estado. O local foi, portanto, inaugurado pela gestão anterior sem a aprovação fundamental para o funcionamento”, justificou a assessoria.   A nota ressaltou ainda que foi estabelecido, documentalmente entre a gestão anterior e o shopping, como condicionante para a emissão de Habite-se da rodoviária, a implantação, por parte do centro de compras, de acesso via trincheira, que, até a presente data, não foi cumprida.    Em relação às placas de sinalização, a assessoria justificou que, na época em que o projeto da rodoviária foi elaborado, o mesmo contemplava a implantação das placas indicativas.  

Shopping nega ser o gestor do local

A assessoria de imprensa do Metropolitan informou que existe um Contrato de Comodato assinado em 6 de agosto de 2012 pela Transbetim e o centro de compras, sendo a prefeitura a interveniente, que transfere ao município todas as instalações necessárias ao funcionamento da rodoviária (áreas comuns, administrativas, bilheterias e plataformas).

 

  Ainda segundo a assessoria do shopping, os boxes comerciais do terminal são locáveis e de propriedade dos empreendedores do centro de compras. “Alguns poucos espaços foram comercializados, porém, com funcionamento condicionado à operação do terminal”, ressaltou. Sobre a Cia. 121ª da PM, a assessoria ressaltou que o espaço foi cedido à corporação pelos empreendedores do Metropolitan.    Já a Secretaria de Transportes e Obras Públicas (Setop), órgão responsável por autorizar o funcionamento de linhas intermunicipais, informou que aguarda as adequações solicitadas à prefeitura. 

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