Greve do IBGE impede divulgação completa de pesquisa sobre desemprego

Falta de dados de Salvador e Porto Alegre impediram a divulgação da média das seis regiões metropolitanas; o instituto projeta divulgar em breve, em data ainda não divulgada, os dados das duas regiões e a média das seis áreas

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

Os postos de atendimento estão digitalizando o sistema de emissão do documento
BRUNO FIGUEIREDO 26.06.2009
Os postos de atendimento estão digitalizando o sistema de emissão do documento

Por causa da greve do IBGE, a pesquisa mensal de emprego, com os resultados do mês de maio, ficou comprometida. Não foi divulgada a média das seis regiões metropolitanas pesquisadas porque faltaram dados de Salvador e Porto Alegre. Segundo o IBGE, não houve tempo hábil para fazer a crítica e a análise dos dados, que foram coletados em campo.

O instituto projeta divulgar em breve, em data ainda não divulgada, os dados das duas regiões e a média das seis áreas. O mesmo problema ocorreu em meados de 2012, também por conta da paralisação dos servidores.

Regiões

Em São Paulo, a taxa de desemprego ficou em 5,1% no mês passado -num patamar próximo do que havia sido em abril (5,2%). Em São Paulo, a renda caiu 0,2% de abril para maio. Na comparação com maio de 2013, houve alta de 1,7%. Em Recife e Belo Horizonte as taxas de desemprego subiram de abril para maio e ficaram em 7,2% e 3,8%, respectivamente. Em abril, os percentuais haviam sido de 6,3% e 3,6%, nessa ordem. Já no Rio de Janeiro, houve um ligeiro recuo -de 3,5% em abril para 3,4% em maio.

Em abril, a taxa média das seis regiões havia sido de 4,9%, o menor patamar para o mês desde o início de série histórica, iniciada em 2002. Para abril, especialistas esperavam uma taxa em torno de 5%. Segundo analistas, a taxa de desemprego tem se mantido baixa nos primeiros meses de 2013 por causa da reduzida procura por trabalho e da ausência de dispensa de trabalhadores, fato comum para o período. Sazonalmente, há redução de vagas no início do ano.

A Copa do Mundo também teve seu impacto especialmente no ramo de turismo e hotelaria, que já começaram a contratar temporários em maio. Na construção civil, porém, já há registro de dispensas, com a conclusão das arenas. O baixo nível do desemprego contrasta com um cenário de juros maiores, consumo em desaceleração, crédito escasso e menor confiança de empresários, que desemboca em um PIB fraco. Um das hipóteses apontadas por analistas é que uma parcela da população formada especialmente por jovens e mulheres deixou de procurar trabalho em busca de oportunidades melhores ou para estudar. A situação se deu graças ao ganho de renda das famílias nos últimos anos.

Nacional

A taxa de desemprego em nível nacional, medida por uma nova pesquisa do IBGE feita a cada três meses -a Pnad Contínua-, ficou em 7,1% no primeiro trimestre deste ano. O resultado para aquele período, divulgado no começo deste mês, ficou acima dos 6,2% registrados nos três últimos meses de 2013. De janeiro a março de 2013, o percentual havia sido maior: 8%.

A Pnad Contínua é primeira pesquisa do IBGE sobre mercado de trabalho em todo o país. O IBGE diz que as duas pesquisas -a Pnad e a Pesquisa Mensal de Emprego- não são comparáveis, pois a Pnad tem uma abrangência maior e um questionário diferente.

Poucos são os analistas que preveem os dados da Pnad Contínua. Entre os que fazem previsão, há expectativa de que haja uma aceleração da taxa neste ano, chegando a 8% na média de 2014 diante da menor oferta de trabalho e de uma retomada da procura por emprego, com o cenário de desaceleração da economia -revelado pelos dados do PIB do primeiro trimestre, que apontou um crescimento de 0,2% frente aos três últimos meses de 2013.

O IBGE não disponibilizou ainda os resultados do rendimento do trabalhador. A informação só será apresentada em 2015.

Leia tudo sobre: EmpregoDesempregoGreveIBGEParalisaçãoÍndiceSalvadorPorto Alegreregiões