Existe tratamento para a violência?

iG Minas Gerais | Daniel Ottoni |

Reincidente. Suárez pode estar em um quadro patológico, segundo avaliação de psicóloga
MARCELO MACHADO DE MELO
Reincidente. Suárez pode estar em um quadro patológico, segundo avaliação de psicóloga

Uma mordida de um jogador em outro deveria causar estranheza. Mas o incidente envolvendo o atacante Luis Suárez, da seleção uruguaia, não surpreendeu quem conhece seu passado recente. No jogo contra a Itália, na última terça-feira, Suárez enfiou os dentes no ombro do zagueiro Chiellini, da Itália. O lance acabou não sendo visto pelo juiz, mas pode render punição ao atleta. “Na minha visão, ele merece, no mínimo, três jogos de suspensão. Espero que sua pena possa servir de exemplo para outros jogadores”, comenta o ex-árbitro Juliano Lopes Lobato.

No ano passado, durante a Copa das Confederações, Suárez já havia tentado morder o mesmo italiano, sem sucesso. Em 2010 e 2013, atos parecidos aconteceram. A reincidência preocupa e deixa claro que a situação é diferente de casos como de Myke Tyson, Zidane ou do lateral-esquerdo Leonardo.

“Os sintomas mostram que trata-se de algo patológico. Ele precisa de tratamento. Ele teve uma atitude que lhe fez voltar para um estágio primitivo do ser humano”, indica a psicóloga, psicanalista e professora da PUC Minas Paula de Paula.

A profissional interpreta o lance de Suárez como um nível máximo de excitação. “Foi algo extremo e incontrolável. Ele não está fora da civilização e sabe que sua atitude foi condenável”, destaca.

Lugano defende Natal. O uruguaio Diego Lugano, mesmo afastado do time por causa de uma inflamação no joelho, saiu em defesa de seu colega Luis Suárez, nessa quinta. “O Uruguai teve uma vitória histórica e, em um lance normal, de jogo, a imprensa mundial decidiu falar de uma coisa normal”, afirmou Lugano. Como a Fifa abriu uma investigação sobre o incidente, e estuda punir o jogador, a Federação Uruguaia de Futebol apresentou uma defesa na tarde nessa quinta. Segundo a imprensa uruguaia, a federação negou que tenha ocorrido alguma mordida, apenas um choque entre os atletas. Já o herói uruguaio do “Maracanazo”, Ghiggia, defendeu a punição a Suárez. “Não sei o que este rapaz pensa, o que ele tem na cabeça”, afirmou.

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