Com insatisfação geral, risco de rejeição é igual para todos

iG Minas Gerais | Tâmara Teixeira |

A decisão dos pré-candidatos de evitar as reações das arquibancadas é a mais segura e prudente neste momento, na avaliação de cientistas políticos. Para o professor especialista em marketing político da Universidade de Brasília (UnB) Antônio Flávio Testa, diante de uma população insatisfeita com a política, independente de partido, todos têm as mesmas (grandes) chances de escutarem vaias.  

“A recomendação de todas as assessorias hoje é para não haver exposição. Apesar de uma torcida amarela e uniformizada, a multidão dos estádios é heterogênea do ponto de vista ideológico. Todos podem ser aplaudidos ou vaiados”, diz Testa.

O professor analisa ainda que o humor do brasileiro pode mudar de acordo com o desempenho da seleção em campo. “Se a seleção for bem, no dia da entrega da medalha pelas mãos de Dilma, a euforia será maior que o protesto.”

O também cientista político e professor da PUC Minas Moisés Augusto Gonçalves concorda que a visibilidade em jogos não compensaria o risco do desgaste. “Vivemos campanhas em que os candidatos são produtos políticos. A preocupação com a imagem e possíveis arranhões a ela é enorme.”

Para eles, a repercussão negativa entre especialistas e políticos, que, em certa medida, repreenderam os torcedores que pronunciaram palavrões para Dilma, não irão impedir que o fato se repita na final, no Maracanã. “Na multidão, as pessoas têm o anonimato e se sentem à vontade. Se a Dilma pudesse, não iria ao estádio. Mas, precisa ir por uma questão protocolar”, diz Gonçalves.

Logo após as vaias, Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB) chegaram a afirmar que a petista “colheu o que plantou”, mas diante das avaliações de que o episódio foi desrespeitoso, adotaram tom mais apaziguador. 

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