Calote cresce com juros de operações de crédito mais altos

Inadimplência sobe para 5% com taxas indo a 42,5% ao ano

iG Minas Gerais |

DANIEL IGLESIAS/O TEMPO
Cautela. Com juros do cartão de crédito mais altos, comércio vende menos e inadimplência dispara

Brasília. Diante da escalada dos juros, os calotes voltaram a crescer após quatro meses de estabilidade. Entre abril e maio, a inadimplência das operações com crédito livre subiu de 4,8% para 5,0%. Entre as famílias, passou de 6,5% para 6,7%. O movimento foi influenciado pelas taxas das operações de crédito que, para as pessoas físicas, chegaram ao maior nível em três anos: 42,5%.

O crédito mais caro deixou mais apertado o orçamento dos brasileiros. Entre as modalidades de financiamento, o rotativo do cartão de crédito continuou a ser a modalidade com maior inadimplência. Em maio, chegou a 33,9% depois de subir 1,7 ponto porcentual no mês. O cheque especial apresenta o segundo maior nível de calote, 9,6%, após registrar elevação de 0,7% entre abril e maio. Os dados, divulgados nessa quarta pelo Banco Central, mostram que a expansão do crédito segue em moderação.

O saldo total das operações do sistema financeiro cresceu 1% no mês e chegou a R$ 2,083 trilhões. A média diária das concessões, no entanto, caiu 2,8% em maio. “A expansão de apenas 1% do estoque de crédito em maio só confirma o que já esperávamos. Que o crédito está marchando para crescer moderadamente”, observou Nicola Tingas, economista-chefe da Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (Acrefi).

Para Wemerson França, economista da consultoria LCA, ocorreu uma piora das condições de crédito no Brasil, com alta da inadimplência, elevação dos juros, aceleração do spread e redução dos prazos médios. “Essa realidade foi determinada por alguns fatores, entre eles a redução da força da geração de empregos no país, maior moderação do avanço do rendimento real dos trabalhadores e aumento da cautela das famílias para buscar financiamentos”.

O saldo total das operações de crédito, diante dessa moderação e da piora da inadimplência, subiu de 56% do Produto Interno Bruto (PIB) para 56,1% - avanço classificado como “relativa estabilidade” pelo chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Túlio Maciel. O economista do BC explicou que confiança em baixa é um fator que tende a influenciar a tomada de crédito.

TJLP Taxa mantida. O governo federal manteve nessa quarta a TJLP (Taxa de Juros de Longo Prazo) em 5% ao ano. A taxa é referência do custo dos empréstimos do BNDES a empresas.

Situação econômica atual faz previsões para o PIB piorarem São Paulo. A desaceleração dos investimentos, o fraco consumo e a piora do sentimento de empresários e famílias geram um ciclo vicioso que faz com que as previsões de crescimento de curto e médio prazos no Brasil sejam continuamente rebaixadas, apontou a Moody’s em relatório distribuído a clientes nessa quarta. Neste contexto, a agência reduziu suas previsões pare o PIB do país relativas a este ano, de 1,8% para 1,3%, e para 2015, de 2% para 1,5%. “A interação entre as expectativas e o desempenho da economia estão criando um ciclo vicioso, no qual cada um afeta o outro”, aponta o relatório. “O desempenho fraco da economia se traduz num sentimento de mercado ainda mais negativo, que leva a investimentos e gastos do consumidor mais fracos, e assim por diante”.

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