Nova geração de robôs põe em risco segurança dos humanos

Máquinas pesadas passarão a trabalhar junto a operários e terão mais capacidade de se mover

iG Minas Gerais | John Markoff / Claire Cain Miller |

Cuidado. Trabalhando com humanos, os robôs têm que ser capazes de perceber quando há perigo
The New York Times
Cuidado. Trabalhando com humanos, os robôs têm que ser capazes de perceber quando há perigo

De carros sem motorista a drones fazendo entregas, uma nova geração de robôs está prestes a revolucionar o modo com que as pessoas trabalham, dirigem e compram. Porém, existe uma área onde os robôs já fincaram o pé e se espalham rapidamente: o setor industrial. Há muito tempo os robôs sobrepujaram os operários de fábricas e depósitos, mas, agora, muitos especialistas se preocupam com os perigos que os robôs representam para os humanos que trabalham ao seu lado.

Eles provocaram pelo menos 33 mortes e ferimentos em empresas nos Estados Unidos nos últimos 30 anos, segundo dados da Agência de Saúde e Segurança Ocupacional. Não parece muito, mas o número pode muito bem subestimar os perigos futuros. Ao contrário dos robôs de hoje, que costumam trabalhar em gaiolas, a próxima geração terá muito mais autonomia e liberdade para se movimentar por conta própria.

Mudanças. As regras exigem que os robôs operem de forma separada dos humanos, em gaiolas ou cercados por cortinas de luz que param as máquinas quando alguém se aproxima. Como resultado, a maioria dos ferimentos e mortes ocorreu quando operários que realizavam a manutenção dos robôs cometeram um erro ou violaram as barreiras de segurança (veja abaixo).

Porém, os robôs da nova geração colaboram com os humanos e se deslocam livremente em ambientes abertos onde pessoas trabalham e moram. Eles são fruto do custo reduzido do preço dos sensores e dos algoritmos aprimorados de inteligência artificial em áreas como o sentido de visão. Mas, junto com os novos robôs de livre circulação, vêm novas preocupações ligadas à segurança, como o que pode acontecer caso um robô fuja do controle ou a primeira vez que um automóvel sem motorista matar alguém.

“É o medo dos robôs”, diz Bryant Walker Smith, pesquisador do Centro para Internet e Sociedade da Faculdade de Direito de Stanford que estuda veículos sem motoristas. “Existe algo assustador em uma máquina funcionar de forma errada e tentar assumir o controle”.

Para evitar acidentes, esses robôs exigem medidas de proteção extraordinárias. O carro do Google tem a frente acolchoada para suavizar batidas se o robô ou um humano provocar um acidente. Outro robô, Baxter, que faz trabalhos repetitivos em empresas, como embalar artigos pequenos, foi projetado para sentir a presença de humanos e parar antes de entrar em contato com eles.

Se robôs e humanos vão viver e trabalhar juntos, serão necessários mais progressos desse tipo. Para desenvolvê-los, será necessário que seus criadores apelem para uma das emoções mais humanas, a empatia.

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