Cinco dos 13 radares do Anel estão desligados

Dnit, responsável pelos aparelhos, não se pronunciou sobre os desligamentos

iG Minas Gerais | Aline Diniz / Johnatan Castro |

Fiscalização. Equipamentos estão em quatro pontos
Uarlen Valério
Fiscalização. Equipamentos estão em quatro pontos

Um radar de velocidade desligado no Anel Rodoviário foi o motivador de um acidente que destruiu o carro do motorista Elias Gomes da Silva Santos, 35, em agosto de 2013. Acostumado com o não funcionamento do aparelho, ele seguia pela via em velocidade normal quando outro veículo freou bruscamente ao se deparar com o equipamento. O engavetamento de quatro carros aconteceu na altura do bairro Betânia. Na manhã dessa quarta, a reportagem de O TEMPO percorreu os dois sentidos do Anel Rodoviário e constatou que, entre as 13 barreiras eletrônicas fixas da via, cinco não estavam funcionando. O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), responsável pelos aparelhos, não explicou o motivo dos desligamentos. No sentido Vitória da rodovia, dos oito equipamentos verificados, três não estavam funcionando. Em direção ao Rio de Janeiro, dos cinco radares, dois não estavam exibindo a velocidade de veículos. A luz verde, que indica o funcionamento, também não acendeu nos aparelhos. Os radares desligados estão em pontos considerados críticos do Anel Rodoviário, como o KM 7, conhecido como “descida do Betânia”. Os outros aparelhos estão na altura dos bairros São Gabriel, Carlos Prates e Buritis. O vigilante Elias Santos conta que sempre passa pelo Anel e diz ser comum os equipamentos estarem desligados, o que fez com que muitos motoristas se acostumassem a não reduzir a velocidade ao cruzar as barreiras eletrônicas. “Sou motorista há mais de 15 anos e acredito que precisamos, sim, de radares. Mas de radares que funcionem e não fiquem apenas como enfeites”, ponderou. Análise. Analistas alegam que a falha na fiscalização implica em sensação de impunidade e maior imprudência dos motoristas. O especialista em tráfego urbano e professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Ronaldo Guimarães Gouvêa destaca que muitos vão abusar da velocidade em função de não serem flagrados pelos radares. “Se o motorista vê que não será punido, ele é imprudente. E, hoje, a causa determinante da maioria dos acidentes no Anel é o excesso de velocidade”, disse. Outro problema, para Gouvêa, é o fato de o Anel receber tanto um fluxo urbano de veículos quanto um tráfego constante de caminhões em viagens. “A carreta vê o Anel como um pedaço da estrada. Não enxerga que está entrando na cidade e compartilhando a via com outros motoristas”. Na manhã dessa quarta, a reportagem flagrou diversos veículos, incluindo caminhões, aproveitando os radares desligados para fazer ultrapassagens em alta velocidade.

Resposta Dnit. Procurada no fim da manhã dessa quarta, a assessoria do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) em Minas Gerais informou que encerrou o expediente às 11h e que não poderia responder aos questionamentos. Brasília. A assessoria do órgão em Brasília informou que não poderia responder ainda nessa quarta o motivo de os cinco radares não estarem funcionando. O Dnit explicou, no entanto, que nem todas as barreiras exibem a velocidade dos veículos e que os aparelhos poderiam estar desligados por causas externas, como picos de energia.

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