Como na floresta, tudo é superlativo em “Amazônia”

iG Minas Gerais |

Castanha é o protagonista de “Amazônia”, rodado na floresta
Gullane Filmes/Divulgação
Castanha é o protagonista de “Amazônia”, rodado na floresta

São Paulo. Quando se pensa em Amazônia, a floresta, os números são sempre superlativos. E quando se pensa em “Amazônia”, o filme, não poderia ser diferente. Coprodução entre Brasil e França, o longa que entra em cartaz hoje, depois de ter feito carreira nos festivais internacionais e ter sido visto por 400 mil pessoas na França, além de estrear na Itália, Alemanha, entre outros países, é o mais caro da história do cinema nacional e chega finalmente a 200 salas do país em plena Copa do Mundo. 

A decisão, ainda que ousada, não é por acaso. “Junho, mesmo com a imensa competição da Copa, dos blockbusters norte-americanos, é mês de férias. E não podíamos perder esta chance de alcançar o público infantil”, comentou o produtor Fabiano Gullane.

De fato “Amazônia”, que foi totalmente rodado em formato 3D, levou três anos para ser realizado e consumiu R$ 26 milhões, não foi idealizado para o público infantil, mas é com a garotada que a versão final do filme se comunica melhor. Tudo porque, diferentemente do primeiro corte, que fez sua pré-estreia mundial em outubro no Festival do Rio e estreou na França, a versão final ganhou uma narração em primeira pessoa do protagonista da história, o macaco Castanha.

Agora, em vez de um tom quase documental, que pede que o espectador seja tão observador quanto os que vivem a registrar imagens da natureza, “Amazônia” ganha a voz de Castanha, que conta cada passo de sua aventura na maior floresta do mundo.

Engana-se quem pensa que o longa nasceu como documentário. “Desde o início, quando, em 2008, Stéphane Milliére (produtor francês) nos apresentou em Cannes, a ideia de filmar na Amazônia, sempre houve a intenção de contar a saga de um macaquinho de circo, urbano, que vive no Rio e acaba sendo obrigado a aprender a sobreviver na selva, depois que o avião em que viajava cai na floresta”, conta Gullane. “Mas a narração criada por José Roberto Torero para a história escrita por Luiz Bolognesi deu uma capacidade incrível ao filme de se comunicar com o público brasileiro, que pede mais ação”, explica Fabiano.

Produtor experiente à frente da francesa Gedeon, Milliére escalou o diretor Thierry Ragobert, que trabalhou com mestres como Jacques Cousteau e tem longas como “Planeta Branco” no currículo, para conduzir uma equipe de cerca de cem pessoas. Dessas, 35 eram francesas e 65 brasileiras, que se aventuraram pela floresta carregando em média 45 toneladas de equipamentos. Tudo isso para registrar em ritmo de documentário, mas com roteiro de ficção, a história de Castanha. É por estas e outras que filmar o roteiro de Bolognesi era uma das etapas mais cruciais e intensas do trabalho. “Pense no imenso desafio que foi filmar, em plena floresta, não uma animação, mas filme de verdade, sem efeito especial, um roteiro que eu escrevi. Não eram atores, nem animais adestrados, mas sim selvagens. Respeitar o tempo deles e ser fiel à realidade era dificílimo”, diz Bolognesi.

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