O bom humor que contagia

iG Minas Gerais |

acir galvao
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Sempre adorei uma muvuca de futebol. Desde menina, contrariando os meus pais, preocupados com a jovem rebelde que se vestia dos pés à cabeça de Atlético, ia aos jogos no Mineirão, no Maracanã, ou fosse lá onde fosse que o time jogasse. Ninguém me segurava, nem os encarecidos pedidos de minha mãe para ser menos fanática, menos enlouquecida e menos emocional. Hoje, vejo que fanáticos e malucos são muitos... Conversando com um colombiano, motorista de um dos vários ônibus que para cá vieram, descobri que ele e um bando de torcedores levaram 13 dias para chegar a Belo Horizonte. Sentado na calçada, com a melhor cara do mundo, contava suas aventuras e desventuras em estradas brasileiras. Menos mal que saíram daqui com uma vitória. Torcedores holandeses despacharam de navio um ônibus estilizado, com a finalidade de percorrer o país atrás de sua seleção. Foram para Salvador, e, a caminho de Porto Alegre, o ônibus pifou – em Betim. Dormiram por lá até consertarem o veículo e seguirem viagem. Chega-me a notícia de que pelo menos uma centena de argentinos, sem ônibus, sem hotel e sem ingressos, montou “acampamento” em Confins. E uma turma de colombianos foi parar em Itabira. Fechados por um caminhão, caíram numa ribanceira, sendo socorridos pela equipe de resgate Anjos do Asfalto. Se, para nós, a Rodovia da Morte é uma incógnita da maior periculosidade, imagina para gringos desavisados? Felizmente, terminou tudo bem, principalmente depois do 3 a 0 da Colômbia sobre a seleção da Grécia. Enfim, de ônibus, de Move, de carro, avião ou navio, os torcedores chegam. Como ondas coloridas, invadem as nossas “praias”. E são muitos! No sábado passado, a Pampulha era uma festa! Muvuca completa de 25 mil argentinos, brasileiros e também iranianos – mais contidos e em menor número. Me senti como nos velhos tempos, caminhando entre gente alegre, descontraída e divertida. Como bem descreveu Roberto Pompeu, em seu artigo na “Veja”, “o bom humor dos estrangeiros sufocou o mau humor nacional”. Batucadas, cantos, cores, atleticanos uniformizados caminhando ao lado de cruzeirenses também uniformizados, argentinos e iranianos tirando fotos abraçados... num bonito exemplo de civilidade que deveria ser mantido. No meio da agitação, apesar da instantânea simpatia aos iranianos, resolvi que torceria para a Argentina, afinal, los hermanos, assim como outros latino-americanos, estão se saindo muito bem na fita. Que o diga a desconhecida seleção de Costa Rica, que, nas últimas rodadas, fez a façanha de derrotar o Uruguai, vencer por 1 a 0 a Itália e ainda eliminar a Inglaterra, sem sequer ter jogado com ela. Incrível!!! Dizem que a zebra anda soltíssima por aí... Quem diria que as “todas poderosas” Espanha e Inglaterra fossem despachadas ainda na primeira fase? Sempre falei que futebol não tem lógica; se fosse previsível, o número de pessoas ganhando na loteria seria muito maior. No sábado que vem, estarei no Mineirão, assistindo a Brasil e Chile pelas oitavas de final. Aí então, a muvuca será completa. Adoro futebol, adoro a alegria que ele proporciona, essa incrível mistura de nacionalidades em torno de um único evento. Mas confesso, com sinceridade, que não estou muito preocupada com a conquista do hexa. Apesar de adorar uma festa, prefiro um Brasil mais consciente a um Brasil encantado e ludibriado pela fugaz alegria de uma taça. Mas seja o que Deus quiser! Afinal, alegria e bom humor nunca fizeram mal a ninguém! Mesmo que tenham prazo de validade.

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