Meta de inflação de 4,5% é mantida com tolerância de até 6,5%

Expectativa do mercado é que a inflação medida pelo IPCA encoste no teto da meta neste ano

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

O governo decidiu manter a meta de inflação de 4,5% ao ano --com margem de dois pontos percentuais para mais e para menos-- para 2015 e 2016.

A meta tem sido a mesma desde 2006. Quando assumiu seu cargo, em janeiro de 2011, o presidente da instituição, Alexandre Tombini, afirmou que o país deveria "ter a ambição de perseguir no futuro" uma meta menor, semelhante à observada nas principais economias emergentes.

Dessa forma, o governo adia novamente essa ambição do Banco Central de reduzir a meta de inflação. A decisão foi tomada por unanimidade nesta quarta-feira (25) pelo CMN (Conselho Monetário Nacional), formado por Banco Central e ministérios da Fazenda e Planejamento.

"Mantivemos a meta tendo em vista o quadro de inflação mais benigno esse ano, inflação de alimentos se acomodando, caindo em relação ao mesmo período do ano passado. Por conta dessa situação, das condições macroeconômicas diversas, o CMN decidiu por unanimidade manter o centro da meta em 4,5%, bem como manter a banda de tolerância de dois pontos percentuais para cima e para baixo", afirmou o secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Márcio Holland.

A expectativa do mercado é que a inflação medida pelo IPCA encoste no teto da meta de 6,5% neste ano. Para 2015, a aposta é que a inflação fique em 6%.

Tripé

Para Tombini, as condições para a redução da meta surgiriam a partir da consolidação de uma política econômica calçada no "tripé" meta de inflação, câmbio flutuante e política fiscal consistente.

O "tripé" criado no segundo governo FHC (1999-2002) e mantido na administração Lula (2003-2010) foi abandonado, no entanto, a partir de 2012. Em seu lugar, o governo Dilma Rousseff passou a usar a "nova matriz macroeconômica". Trata-se da combinação entre juro baixo, câmbio mais desvalorizado e aumento do gasto público.

Quando o regime de metas foi implantado em 1999, para substituir o regime de câmbio fixo, o objetivo perseguido pelo BC era de 8%.

Meta descumprida

Ela foi descumprida apenas três vezes, entre 2001 e 2003. Nesta última vez, o governo chegou a perseguir um objetivo de 3,25%, revisto ao longo do ano para 4% com limite de 6,5%. A inflação ficou em 9,3%.

Quando isso ocorre, o presidente do BC é obrigado a publicar uma carta pública ao ministro da Fazenda para explicar as razões do descumprimento.

A inflação medida pelo IPCA, que serve de referência para a meta, ficou abaixo do centro apenas em 2006 (3,24%), 2007 (4,46%) e 2009 (4,31%). Nos outros anos, superou 5,5%. A última vez que a inflação estourou o limite máximo foi em 2003, primeiro ano no governo Lula, quando a alta de preços chegou a 9,3% --o teto era 6,5%.

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