Bolsa fecha em queda de mais de 1% puxada por Petrobras e bancos

As ações do setor financeiro reagiram negativamente a dados do Banco Central indicando aumento da inadimplência nas operações de crédito em maio

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

A forte queda dos bancos e da Petrobras guiou o principal índice da Bolsa brasileira a uma baixa de mais de 1% nesta quarta-feira (25). O Ibovespa perdeu 1,58%, para 53.425 pontos. É a maior desvalorização diária desde 30 de maio, quando cedeu 1,91%.

As ações do setor financeiro reagiram negativamente a dados do Banco Central indicando aumento da inadimplência nas operações de crédito em maio. Foi a primeira alta desde setembro de 2013. A taxa de calotes passou de 3,0% para 3,1%, o maior nível em seis meses.

O BC também reduziu sua previsão para o crescimento do crédito em 2014. Em março, a instituição divulgou uma previsão de expansão do crédito de 13% para o ano. Agora, a nova estimativa é de 12%.

O Itaú Unibanco, que possui o maior peso no Ibovespa entre as 71 ações que compõem o índice, fechou em queda de 3,18%. Já o Banco do Brasil e o Santander viram seus papéis cederem 1,28% e 2,25%. As ações do Bradesco também ficaram entre as maiores quedas.

Também no vermelho, a Petrobras continuou sendo penalizada por avaliações negativas em relação à decisão, anunciada ontem pelo governo, de contratar a estatal, sem licitação, para explorar o óleo excedente em quatro áreas da chamada cessão onerosa.

A operação faz com que a empresa tenha que arcar com R$ 15 bilhões em bônus e antecipações até 2018, mas garante à ela reservas adicionais de até 15,2 bilhões de barris de petróleo. As ações preferenciais (sem direito a voto) da Petrobras perderam 1,98% nesta quarta, enquanto as ordinárias (com direito a voto) tiveram baixa de 3,34%.

"É horrível para a companhia. A estatal está com forte endividamento, tem um monte de investimentos para fazer nos próximos anos e ainda terá que arcar com este novo custo, que não estava previsto", diz Pedro Galdi, analista-chefe da SLW Corretora.

"O governo fez isso com a Petrobras porque precisa de dinheiro para fechar as contas, ou tentar fechar as contas, o quanto antes. Poderia ter esperado mais uns três anos, já que o valor que terá de ser desembolsado pela petroleira até 2018 se refere ao óleo que vai ser produzido daqui a 15 anos, no mínimo", acrescenta.

AVALIAÇÕES

A avaliação de analistas que acompanham a Petrobras é que a notícia traz mais efeitos negativos do que positivos. O impacto no já apertado caixa da petroleira e o fato de a companhia já ter mais reservas do que consegue desenvolver no médio prazo, sem um adicional de produção já concretizado, deram o tom dos relatórios e análises.

Para Marcelo Varejão, da corretora Socopa, a operação foi "mais uma interferência do governo numa companhia de capital aberto". Por isso, diz, a reação do mercado foi negativa, além da necessidade de antecipar recursos para o governo. "Será algo que a empresa terá de pagar agora para ter benefícios em um futuro que ainda é duvidoso."

Em relatório enviado a clientes, a analista Paula Kovarsky, da Itaú Corretora, avalia que a Petrobras tem claramente mais reservas do que consegue desenvolver no médio prazo. Por outro lado, o balanço da empresa continua apertado, enquanto o governo segue adiando a paridade internacional para os preços do diesel, gasolina e gás natural a fim de evitar pressões inflacionárias.

A avaliação da Planner Corretora é que esse tipo de notícia contribui para compor um cenário negativo para a empresa e afasta investidores de longo prazo, principalmente estrangeiros, que veem em medidas como esta uma interferência prejudicial do governo na empresa.

No relatório que a Santander Securities enviou a clientes, a avaliação geral do negócio é também negativa. Os analistas dizem "não entender a lógica" da antecipação de lucro que a companhia teria de pagar ao governo.

CÂMBIO

No câmbio, o dólar à vista, referência no mercado financeiro, teve desvalorização de 0,61% sobre o real, cotado em R$ 2,208 na venda. Já o dólar comercial, usado no comércio exterior, cedeu 0,94%, para R$ 2,206.

O Banco Central deu continuidade ao seu programa de intervenções diárias no câmbio, através do leilão de 4 mil contratos de swap (operação que equivale a uma venda futura de dólares), por um total de US$ 198,4 milhões.

A autoridade também promoveu um novo leilão de 10 mil contratos de swap para rolar os papéis que vencem em 1º de julho, por US$ 494,5 milhões. Até agora, o BC já rolou cerca de 75% do lote de swaps que vencem no primeiro dia do mês que vem.

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