Pasadena foi barata e abaixo do preço de mercado, diz ex-presidente

Em 2006, o Conselho de Administração da Petrobras, presidido à época por Dilma Rousseff, autorizou a compra dos primeiros 50% da refinaria de Pasadena

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

Em depoimento na CPI mista da Petrobras nesta quarta-feira (25), o ex-presidente da estatal José Sérgio Gabrielli afirmou que a compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos, foi "barata" e "abaixo do preço de mercado".

"Nós compramos uma refinaria barata, abaixo do preço de mercado. [...] a Petrobras comprou também uma comercializadora de petróleo pesado", afirmou durante sua apresentação inicial, explicando que à época o refino americano vivia um momento de "ouro" no mercado internacional. Gabrielli defendeu a compra de Pasadena e classificou as avaliações negativas sobre a refinaria de "equivoco".

O ex-presidente da Petrobras repetiu que o resumo preparado em 2006 por Nestor Cerveró, então diretor da área internacional, para o conselho de administração da estatal durante a aquisição da refinaria "não continha menção às cláusulas Put Option e Marlim".

Responsáveis pelo prejuízo de US$ 530 milhões na compra da refinaria, a "Put Option" determinava --em caso de discordância entre a Petrobras e a sócia belga Astra Oil-- à estatal a compra do restante das ações. A "Marlim" dava à outra sócia uma garantia de rentabilidade mínima de 6,9% ao ano.

Em 2006, o Conselho de Administração da Petrobras, presidido à época por Dilma Rousseff, autorizou a compra dos primeiros 50% da refinaria de Pasadena. Somente em março deste ano a presidente Dilma criticou o resumo feito por Cerveró. Dilma definiu o relatório de "incompleto" por omitir justamente a existência das cláusulas "Put Option" e "Marlim".

Após um processo na Câmara Internacional de Arbitragem, a Petrobras teve que comprar em 2008 --obrigada por essas cláusulas-- a metade restante de Pasadena. Diante do novo montante gasto, a compra de Pasadena tornou-se um mau negócio para o Brasil.

É a terceira vez que Gabrielli esteve no Congresso para explicar as denúncias de irregularidades na empresa. Em todas elas, manteve a postura de blindar o governo em relação às denuncias. À CPI do Senado no mês passado, Gabrielli afirmou que Dilma não poderia ser responsabilizada sozinha pela compra de Pasadena.

Nesta quarta, Gabrielli disse também que não ocorreu nenhum crime ou ilegalidade no processo que culminou na compra de Pasadena. "Não há nenhum crime, nenhuma ilegalidade no processo decisório", afirmou, respondendo questionamento do deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), integrante da CPI mista da Petrobras.

Esse é o segundo depoimento na CPI mista da Petrobras, com deputados e senadores. Ao contrário da CPI da Petrobras do Senado, que sofre boicote da oposição, a comissão mista que ouve Gabrielli tem apoio de congressistas do DEM e PSDB.

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