Aliados andam na corda bamba

PR entregou nessa terça Ministério dos Transportes e cobra nome do partido sob pena de apoiar Aécio

iG Minas Gerais |

Transporte. Presidente do PR pressiona para que Dilma coloque no ministério nome ligado ao partido
Waldemir Barreto
Transporte. Presidente do PR pressiona para que Dilma coloque no ministério nome ligado ao partido

Brasília. Na reta final das definições sobre candidaturas e apoios, partidos da base aliada da presidente Dilma Rousseff estão se rebelando. Depois de o PTB abandonar o barco no último sábado, o PR colocou a presidente contra a parede: a sigla entregou nessa terça o Ministério dos Transportes e ameaça apoiar o tucano Aécio Neves à Presidência da República. Segundo a cúpula do PT, o atual titular da pasta, César Borges, apesar de filiado, não representa o partido. O presidente do PR, senador Alfredo Nascimento (AM), formalizou a insatisfação em conversa por telefone com o ministro Aloizio Mercadante (Casa Civil).

O partido, que decide na próxima segunda-feira, em reunião da Executiva Nacional, o caminho a tomar nas eleições presidenciais, pressiona o governo a substituir Borges, considerado da cota pessoal da presidente Dilma Rousseff.

Como aconteceu no PMDB e PP, há divisão entre os aliados, com muitos defendendo que o partido feche com o presidenciável tucano Aécio Neves. O PR, que já conseguiu adiar a decisão na convenção do último sábado, delegando à Executiva a palavra final, tende a garantir apoio à presidente Dilma Rousseff, segundo integrantes da legenda.

O secretário geral do partido, senador Antonio Carlos Rodrigues (PR-SP), trabalha para antecipar a decisão da Executiva, marcada para o dia 30, e quer que o partido feche com Dilma. Ele está confiante em um resultado positivo, principalmente tendo em conta que, em vários Estados, entre eles Rio Grande do Sul e São Paulo, o PR está coligado com o PT.

Embora o senador Antonio Carlos negue, integrantes do PR dão como certa a troca do César Borges pelo ex-ministro Paulo Sérgio Passos, e também a saída do diretor geral do Dnit, Jorge Fraxe. No sábado, a saída dos dois foi um dos principais pontos da conversa na convenção. No partido há quem ache que essa substituição no Ministério dos Transportes seria trocar seis por meia-dúzia, já que Passos ocupou a pasta na cota pessoal de Dilma e é técnico. Ou seja, não resolveria o problema porque não seria alguém ligado ao partido.

PP. Para garantir a aliança com a presidente Dilma Rousseff sem explicitar o racha na legenda, a cúpula do PP trabalha, às vésperas da convenção prevista para o próxima segunda-feira, 30, com objetivo de levar a decisão sobre o apoio à reeleição de Dilma somente à Executiva Nacional.

A manobra, no entanto, deverá ser questionada pelos dois principais diretórios rebeldes: Minas Gerais e Rio Grande do Sul. Em entrevista ao “Broadcast Político”, serviço em tempo real da Agência Estado, o governador mineiro, Alberto Pinto Coelho (PP), informou que apresentará, junto com a senadora Ana Amélia (PP-RS), uma moção para ser inserida na cédula de votação a neutralidade do partido na disputa presidencial.

Dessa forma, o tempo de rádio e TV seria dividido entre todos os candidatos, assim como foi feito na eleição de 2010. Outro objetivo pode estar por trás da manobra: garantir participação no governo federal a partir de 2015, independentemente de qual candidato sair vitorioso nas urnas em outubro.

Atrativos

Plano. O comando da campanha da presidente Dilma Rousseff quer evitar novas surpresas e fez um aceno aos cinco partidos da base que vão fazer convenções nos próximos dias. Eles receberam o recado de que, se reeleita, Dilma dará mais voz a essas legendas ressuscitando o Conselho Político.

Barco. O órgão, formado por siglas aliadas, havia sido criado por Lula e foi desativado pela sucessora. Um primeiro sinal da presidente é que ela decidiu participar das convenções dos aliados nesta semana.

Expectativa. O comando petista avalia que todos vão continuar com Dilma, mas alguns casos demandam mais atenção, em especial o PSD de Gilberto Kassab.

Homologação

Primeiro. O PSTU foi o primeiro partido a pedir ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) o registro de candidatura à Presidência: com o número 16, Zé Maria tentará conquistar a cadeira do Planalto.

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