Crimes ambientais rendem até R$ 473 bi e financiam violência

Apesar da situação global, agência elogiou ação do Brasil contra o desmatamento da Amazônia

iG Minas Gerais | Da redação |

Natureza. A floresta Amazônica é cortada para dar lugar a uma mina de ouro ilegal, em imagem de 2009
Andre Penner/ap - 15.9.2009
Natureza. A floresta Amazônica é cortada para dar lugar a uma mina de ouro ilegal, em imagem de 2009

Corte ilegal de madeira na Amazônia, morte de elefantes na África para roubar suas presas e aprisionamento de animais selvagens para venda não são novidade. Governos de todo o mundo sabem que esses crimes ambientais ocorrem diariamente. Mas, apesar de terem a informação, esses governos – e instituições internacionais – não estão fazendo o bastante para mudar o cenário de depredação da natureza, que rende a grupos ilegais até US$ 213 bilhões (cerca de R$ 473 bilhões) por ano.

Esse é o principal alerta do relatório “The Environmental Crime Crisis” feito pela Interpol e pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Unep, na sigla em inglês) e divulgado nessa terça. As organizações ainda chamam atenção para o fato de que o lucro desses grupos é usado para manter terroristas e criminosos.

“Organizações criminosas transnacionais têm lucros imensos ao explorarem os nossos recursos naturais para financiar suas atividades ilícitas”, explicou o diretor executivo da Interpol, Jean-Michel Louboutin. Para ele, a solução é um “dedicado esforço internacional para efetivamente combater essa ameaça à segurança global”.

Perdas econômicas. Além de o dinheiro desses crimes ser usado para financiar outras ações criminosas, o relatório chama atenção para o fato de que os países que estão perdendo seus recursos naturais estão perdendo, também, recursos econômicos. “Além dos impactos ambientais imediatos, o comércio ilegal de recursos naturais está privando economias em desenvolvimento de bilhões de dólares em lucros para encher o bolso de criminosos”, diz Achim Steiner, diretor executivo da Unep.

Solução. O relatório deu 12 recomendações para lidar com o crime ambiental. Entre elas, está o esforço coordenado de autoridades, leis mais duras, certificações de produtos legais mais rígidas e campanhas de conscientização para os compradores finais dos produtos.

Lamentando que outros países não fazem o mesmo esforço, o relatório ainda incluiu um caso de sucesso no combate ao crime ambiental no mundo: o Brasil.

“Ao combater a cadeia criminosa como um todo, o Brasil provavelmente se tornou um dos líderes mundiais em esforços extensos para reduzir o desmatamento ilegal”, diz o relatório. De acordo com o texto, o desmatamento da Amazônia foi reduzido de 64% a 78% desde os anos 80, quando foi iniciado o monitoramento da floresta.

Principais pontos do relatório da ONU Lucro ilegal Além dos danos à natureza, os crimes ambientais rendem US$ 213 bilhões todos os anos e financiam grupos criminosos de todo o mundo. Situação só piora O relatório diz que a ação ameaça a segurança global e atrai criminosos de outros setores graças a “uma combinação de lucros altos e chance pequena de serem pegos e condenados”. Madeira: US$ 100 bi Desmatamento com o objetivo de retirar madeira rende até US $100 bilhões de dólares todos os anos. Isso é cerca de 30% do rendimento da venda de madeira legal. Fauna e flora: US$ 23 bi Gorilas, tigres, répteis, aves e peixes também são ameaçados, apesar de o problema maior ser o desmatamento e poluição de seus hábitats naturais.

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave